O jogo

Clean the Oceans

A ideia para este jogo surgiu quando lemos um artigo sobre o projeto Ocean Cleanup. Apesar de não estarmos ligados de modo algum a este projeto, este tópico é muito interessante para um jogo didático. Consciencializar acerca do problema da poluição, especialmente do plástico nos oceanos, é algo que julgamos valer muito a pena.

Person Holding Plastic Bottle

Todos os anos, tonelas de plástico vão parar aos oceanos. O plástico foi incorporado em muitos materiais que utilizamos no nosso dia-a-dia, pela sua durabilidade. No entanto, essa característica tornou-se um verdadeiro problema ambiental.

A reduzida taxa de degradação e a gestão incorreta dos resíduos de plástico promoveu a dispersão pelo ambiente, e a sua fragmentação em pequenos pedaços, os chamados microplásticos (<5mm), que se vão acumulando principalmente em meio marinho.

Para além da poluição visual, podemos enumerar outros impactos: para a saúde (podem incorporar a cadeia alimentar), económicos (pesca, turismo, custo associado à limpeza do plástico) e ecológicos (são confundidos por alimento e ingeridos por diferentes espécies marinhas).

“O lixo plástico tornou-se uma presença quase constante em qualquer actividade marinha, tal como na pesca, no surf, na prática balnear, etc. Uma garrafa de plástico pode durar cerca de 450 anos, fragmentando-se lentamente e, eventualmente, transformando-se em partículas microscópicas, mas nunca desaparecendo totalmente. Por exemplo, já foram encontradas partículas no gelo do Árctico. Um saco de plástico para embalagem, usado, em média, durante apenas 12 minutos, pode levar entre 100 e 300 anos a decompor-se.

Dois terços do plástico no oceano chegaram por via terrestre. Provêm principalmente de descargas industriais, aterros e lixeiras perto da costa, de sistemas de saneamento que não filtram os microplásticos e de lixo abandonado em praias ou zonas costeiras. A terça parte restante provém de perdas no mar, cargas de navios ou material de pesca caído ou deitado ao mar.

O consumo anual de plástico ultrapassou os 320 milhões de toneladas. Segundo as Nações Unidas, se as taxas de poluição actuais se mantiverem, em 2050 haverá mais plástico do que peixes no mar.

Um sistema gigante de distribuição de plásticos: cinco grandes correntes oceânicas – os giros – transportam o lixo marinho e acumulam-no nalgumas zonas dos oceanos, formando grandes ilhas de lixo, incluindo plásticos e partículas de plástico.

A Grande Mancha de Lixo do Pacífico é a maior lixeira de plástico do mundo e está a aumentar exponencialmente, segundo um estudo publicado pela Nature em Março 2018. Para amostra, os cientistas recolheram mais de um milhão de objectos (1.136.145), com 668 kg de peso total, numa área de 1,6 milhões de km2. O plástico constitui 99% do lixo encontrado.”

In Jornal Público, 22 de Abril 2018

Pretendemos ir às escolas locais falar desta problemática, utilizando como instrumento educativo o jogo Clean the oceans, e também deixando o desafio de as crianças apanharem algum plástico perto das suas casas ou a caminho da escola.

O jogo, inicialmente pensado para ser de tabuleiro mas posteriormente adaptado para o ar livre, é direcionado para crianças. Baseia-se na tradicional apanhada, mas simula a constante ida do plástico para os oceanos, e a difícil tarefa de o recolher.

Antes de começar a jogar, escolhe-se um pequeno grupo de jogadores que representam “barcos” de recolha de plástico dos oceanos. Devem ser no mínimo 2, e cerca de 1/10 do número total de jogadores (para 40 crianças, começar com 4). Conforme o tamanho do campo, pode-se aumentar ou reduzir o número de cada grupo. O resto dos jogadores vão simular o plástico que entra nos oceanos.

Forma-se um campo quadrado/rectangular como for possível (marcando as linhas no chão, ou com 4 objectos a marcar os quatro cantos, e imaginando a linha). Pode também ser usado um campo já existente, por exemplo um pequeno campo de futebol. Dentro desse campo faz-se uma zona mais pequena, como mostrado na figura abaixo. Os triangulos representam os “barcos” protectores dos oceanos, e os circulos representam os jogadores que fazem de plástico. No ínicio do jogo, os jogadores que representam plástico entram no campo a partir do exterior, e os “barcos” entram no campo pela área central.

O jogo procede da seguinte forma:

Os jogadores que representam o plástico têm por objectivo chegar à zona central, que ilustra a mancha de lixo do pacífico. Os “barcos” têm como objectivo apanhá-los antes que cheguem à zona central e, se conseguirem, os jogadores que representam o plástico ficam parados no sítio onde forem apanhados.
Quando todos forem apanhados ou chegarem à zona central, os “barcos” recolhem todos os que não chegaram à zona central, dando as mãos e formando correntes humanas, uma por barco.

No final dessa fase de recolha, os jogadores vão estar em grupos, um grupo por “barco” e o grupo que chegou à zona central do campo. O grupo com mais elementos é o vencedor.