Cusco e Machu Picchu

Chegados ao terminal de autocarros de Cusco, partimos rumo ao hotel que eu tinha reservado na noite anterior. Foi das piores procuras por alojamento de toda a viagem!

De telemóvel em punho, lá fomos, de mochila às costas, seguindo as indicações do maps.me. Não quisemos pagar táxi, porque achámos que os condutores nos estavam a cobrar mais por sermos turistas (tínhamos o preço de referência que vinha no nosso guia da Lonely Planet).

Começámos a subir, a subir, e o mapa indicava-nos ainda uma subida de 180 metros num curto espaço. Acabámos por apanhar um táxi e demos-lhe as instruções do gps. Para nosso espanto, depois de uma enorme subida a pique que eu não soube como é que o carro velho onde íamos conseguiu fazer (note-se que o cheiro a queimado era intenso!), fomos dar “de caras” com uma escadaria enorme, que o maps.me indicava que o carro poderia subir. LOL

Dissemos ao taxista para nos deixar ali. Eu estava a ver que não aguentava a subida, mas com algumas paragens pelo meio lá consegui chegar ao topo. Continuámos a seguir o maps.me mas não havia hotel nenhum na localização que ele nos dava.

Sem internet, estávamos a ver o caso mal parado. Perguntámos a todas as pessoas que vimos pelo caminho, mas ninguém nos conseguia ajudar. Uma delas deu-nos a indicação de que talvez fosse para a esquerda, então lá fomos nós, seguindo a estrada. Voltámos a perguntar a mais pessoas, e ficámos mais seguros de que estávamos a seguir a direção certa. Ufa! Aquela área parecia uma favela, e não queríamos andar ali de noite…

Finalmente lá demos com o dito hotel! Ainda tivemos que esperar que nos limpassem o quarto, mas apesar da desorganização com que a dona gere o hotel, ela era muito simpática, e nessa noite até nos foi buscar uma canja de galinha para o jantar. A vista era linda! Aliás, tivemos a oportunidade de fazer uma free walking tour que nos deixou deliciados com esta cidade que parece saída de um conto colonial espanhol.

Após a chegada a Cusco começámos a pesquisar acerca da ida a Machu Picchu, e percebemos que era tudo caríssimo. Para piorar a situação, nos dias seguintes já só havia bilhetes disponíveis a partir das 11h, o que tornava muito difícil a logística de ir e vir para Cusco sem ser de comboio (cada bilhete de comboio é a partir de 70 dólares, numa só direção). E como se não bastasse, também já não havia muitos horários disponíveis!

A ida pela central hidroelétrica era muito longa, mas era a opção mais barata. Começámos a pesquisar empresas que o fazem, e o João encontrou uma a 90USD (depois percebemos que esse era o preço para estudante, e que o normal era 110USD), mas já tinha o bilhete de Machu Picchu incluído (48USD). A partir daí fiquei bem mais aliviada! Contudo, tínhamos o problema de só ter bilhetes para as 11h, o que implicaria duas noites em Aguas Calientes (a povoação que fica mais próxima das ruínas).

Eis senão quando, o João encontrou, como que por milagre, dois bilhetes disponíveis para as 6h da manhã daí a dois dias, mas que rapidamente desapareceram. Depois, encontrou outros 2 bilhetes para as 7h, que não deixou escapar!

Com este horário já dava para fazer a viagem de seis horas numa carrinha até à hidroelétrica, andar 12km a pé, dormir em Aguas Calientes, e no dia seguinte visitar Machu Picchu e fazer o caminho inverso (as carrinhas saem da hidroelétrica às 15h). Só faltava marcar com uma agência.

Com mais alguma pesquisa percebi que se podia comprar apenas o bilhete da carrinha e o resto reservar à parte. Era isso que estávamos prestes a fazer, mas um “agente de turismo” acabou por convencer-nos a comprar o pacote a ele. Além dos 48USD já pagos (bilhete de entrada em Machu Picchu), pagámos-lhe mais 50USD por pessoa, com o transporte, alojamento, pequeno-almoço e bilhete de autocarro para a subida a Machu Picchu (12USD por 30 minutos de viagem!). Apesar dos muitos receios, pois ele apenas nos deu um recibo em que nem se percebia o que estava lá escrito, conseguimos safar-nos! Esta opção ficou substancialmente mais barata do que qualquer outra, mas também foi muito mais cansativa (para não falar em perigosa, pois a estrada até lá não é pêra doce), sobretudo no dia da visita a Machu Picchu, em que acordámos às 5h, e só chegámos ao nosso hotel em Cusco às 23h!

Depois de tantos “trabalhos”, Machu Picchu não nos desiludiu. É de facto um lugar especial, lindo, com uma envolvente única. Contudo, transformou-se numa “máquina do turismo”, e apesar do número restrito de entradas diárias e dos elevados preços, há muitos turistas!

Margarida

 

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