La Paz e lago Titicaca

A chegada a La Paz, de autocarro, é algo surpreendente.

Situada no altiplano, La Paz contrasta com a paisagem envolvente por se situar num enorme vale. Depois de dias a viajar num planalto, é impossível não ficar surpreso com a forma como a cidade se estende encosta abaixo.

Ao entrar na cidade, o autocarro serpenteou pela estrada que desce em direcção ao centro, apresentando-nos a primeira capital que víamos desde o Rio de Janeiro.

Com as encostas forradas de casas não admira que o teleférico seja um meio de transporte público, com diferentes linhas e muitas paragens, tal e qual um sistema de metropolitano.

Como o hotel ficava longe, descemos a principal avenida de autocarro. Não foi fácil perceber que autocarro tínhamos que apanhar, mas por esta altura já estávamos muito habituados a perceber o funcionamento dos transportes locais. A confusão e principalmente o trânsito era algo de que não tínhamos grandes saudades!

Saímos do autocarro ainda na avenida principal, que corre na parte central e baixa do vale. Infelizmente o nosso hotel ficava numa rua paralela, o que implicou subir a encosta…

Não tínhamos boas recomendações de La Paz, principalmente de amigos que tinham voado para cá e tiveram problemas com a altitude. Felizmente nós já estávamos bem adaptados, mesmo assim tentámos não fazer grandes esforços! Optámos (como noutros sítios) por fazer uma “free city tour”, que começou em frente a uma prisão, a prisão San Pedro. Esta prisão é muito peculiar, pelo facto de que lá dentro funciona como uma sociedade própria, gerida pelos presos. Tem lojas, as celas são compradas ou alugadas, os presos têm empregos (inclusive como guias turísticos). Obviamente não visitámos, e a nossa guia turística frisou muito os riscos de fazer uma visita, nomeadamente de ficar lá preso por os guardas exigirem um pagamento chorudo à saída!

Percorremos várias ruas e praças na visita guiada, mas a parte mais interessante acabou por ser a zona do mercado, onde havia várias lojas com artefactos curiosos à venda. Foi-nos explicado que os bolivianos eram muito supersticiosos. Quando os Espanhóis chegaram à região, tiveram muita dificuldade em introduzir o cristianismo, devido à adoração da Pachamama, a Deusa Terra. Só quando fizeram um paralelismo com a Virgem Maria conseguiram que o cristianismo começasse a ser aceite.

A Pachamama ainda é adorada hoje em dia, e muitos dos artefactos vendidos no mercado servem para fazer rituais de oferendas à mesma. Ouvimos várias histórias de sacrifícios… Supostamente cada vez que se constrói uma casa ou um edifício, por estarmos a tomar posse de um pedaço de terra (que pertence à Pachamama) temos que oferecer algo em troca. Hoje em dia o mais comum é oferecer um feto de lama, mas para grandes construções isso não chega! Reza a lenda que ainda nos dias que correm, quando se constrói um grande edifício são necessários sacrifícios humanos. Para os realizar, sem-abrigos são drogados ou embebedados até estarem inconscientes e posteriormente enterrados junto às fundações dos edifícios.
Claro que tudo isto nos parece irreal, e é provavelmente uma história para entreter turistas…

Não podíamos deixar de andar no sistema de teleféricos, e subimos a um dos pontos mais altos. Funciona realmente bem, como um qualquer sistema de metro europeu. Mas a vista é muito melhor!

Sem muito mais interesse por La Paz, a próxima paragem foi Copacabana, junto ao lago Titicaca.

Para além de ser o maior lago da América do Sul, o lago Titicaca tem a particularidade de se situar a 3,800m de altitude, e é portanto um dos mais elevados do mundo. Copacabana é como que uma pequena cidade balnear, o que é algo estranho visto que a Bolívia não tem fronteira com o mar! Mas de facto um lago tão grande imita muito bem, embora dada a altitude e a altura do ano não estivesse propriamente calor.

Tivemos no entanto a sorte de apanhar sol, e fizemos um passeio de barco que nos levou à Isla del Sol, e Isla de la Luna. Ambas têm ruínas Incas, mas a Isla del Sol já era habitada muito antes da civilização Inca chegar, com vestígios de habitantes desde 2200 AC. Não era certo que pudéssemos visitar, porque já há uns anos que existe um conflito na ilha entre o sul e o norte, muito derivado do aumento de turistas à ilha. Só nos foi aconselhado portanto a visitar o sul da ilha, e assim fizemos. É de facto muito bonita!

Isla del Sol
Isla del Sol
Isla del Sol
Isla del Sol
Isla de la Luna
Isla de la Luna

A paragem em Copacabana foi também uma forma de evitar fazer a viagem de La Paz até Cusco de uma vez. De Copacabana seguimos para La Paz, mas ficámos uma noite em Puno, já no Perú. Infelizmente não fizemos nada de especial, principalmente devido a eu me sentir muito mal por algo que comi!

João

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