Roadtrip pelo sudeste brasileiro – parte III

Deixando o Rio de Janeiro com a sensação de que um dia voltaremos, rumámos a Sul.

A primeira paragem não estava nos planos iniciais, mas no Rio mostraram-nos umas fotos incríveis de uma tal “Pedra do Telégrafo”. Ficava a caminho de Angra dos Reis, portanto decidimos incluir no percurso.

Depois de uma caminhada a subir de cerca de 40 minutos, chegámos à dita pedra. A paisagem é verdadeiramente incrível, mas o atrativo são as espetaculares fotografias que ali se tiram. Como vivemos numa era de instagram, a quantidade de gente que lá estava não era de surpreender. Cerca de 30 pessoas à nossa frente para tirarem fotos. Dado o local ser bastante remoto, toda a gente queria aproveitar ao máximo e portanto toda a gente demorava bastante tempo!

Não vou revelar o truque aqui no blog, mas perguntem se tiverem interesse em saber!

Mais de duas horas de espera depois, descemos o trilho e seguimos para:

Angra dos Reis

Em Angra dos Reis propriamente dita não há nada de interessante. Não deixa de ser um ponto turístico porque é uma baía repleta de pequenas ilhas e praias, para além da Ilha Grande. O tempo não estava muito convidativo para fazer praia, portanto optámos por uma passeio de barco, uma atividade popular entre turistas.

Foi um passeio agradável, mas não mais que isso. A costa do Brasil é lindíssima, mas eu preferi vê-la de pontos elevados como a pedra do telégrafo ou o morro da Urca (no Rio de Janeiro).

A próxima paragem, no entanto, foi incrível!

Paraty

No tempo no colonialismo Português, Paraty desenvolveu-se como um importante porto. Inicialmente era aqui que chegavam os carregamentos de ouro vindos de Minas Gerais, que seriam embaracados em pequenos barcos até ao Rio de Janeiro, de onde iriam para Lisboa.

Com o passar do tempo, tornou-se principalmente num porto de chegada de escravos vindos de África.

Paraty está impecávelmente preservado, e passear nas suas ruas é, tal como nas cidades históricas de Minas Gerais, uma autêntica viagem no tempo.

Fizemos uma visita guiada pelo centro, repleta de factos interessantes. Um dos que mais nos surpreendeu, foi o facto de a cidade ter sido construída por forma que a água do mar entrasse pelas ruas com a subida da maré. O lixo e esgotos eram assim levados pela água com a descida da maré, fazendo o saneamento da cidade.

Nos dias de hoje essa função é indesejada, pelo que o nível da rua já foi subido várias vezes. De qualquer forma ainda é possível observar a água a entrar na cidade em alguns pontos.

Não poderia haver contraste maior com a nossa próxima paragem!

São Paulo

É difícil conceber uma imagem de São Paulo sem lá ir. Uma verdadeira “Selva de Betão”, os bairros de São Paulo são autênticas cidades dentro de uma cidade. Os muitos arranha-céus surpreendem por serem antigos. São Paulo não é uma cidade nova, já era uma metrópole há muitos anos. Fomos ao topo do Edifício Itália (165 metros), mais alto que qualquer edifício em Portugal, inaugurado em 1965! Mesmo de tão alto, em qualquer direcção que olhemos vê-se o mesmo: prédios, prédios e mais prédios.

Hospedados em casa de amigos, ficámos com uma melhor visão do que é viver em São Paulo. Mais seguro que o Rio, não deixa de ser uma cidade com algum perigo, sobretudo em torno de áreas mais pobres da cidade. O povo Brasileiro gosta muito de festa, e portanto aproveitámos para ir a uma, cheia de gente obviamente!

Por coincidência, estávamos em São Paulo durante a parada do orgulho LGBT (a maior do Mundo). Fomos de metro até ao centro para espreitar. Nunca vi tanta gente na vida.

Aos domingos, em São Paulo, as principais avenidas são fechadas ao trânsito por forma a deixar os moradores passearem à vontade no centro da cidade. São Avenidas enormes, mas naquele dia era difícil ver a estrada, porque estavam literalmente cheias de gente. Quando quisemos regressar a casa é que foi mais complicado, porque nos cruzamentos entre ruas criavam-se autênticas marés de pessoas, deslocando-se numa direcção que não era necessáriamente a que nos interessava. Depois de algum esforço e muitos empurrões, lá conseguímos sair!

Ao contrário do Rio de Janeiro, São Paulo não apaixona. Impressiona.

João

 

2 comments

  1. Olá

    Espero que esteja tudo bem com vocês!! Estive com vocês a viajar pelo Brasil 🙂 e gostei especialmente de Paraty parece uma vila portuguesa mas um Portugal tropical e colorido!!

    1. Olá Mariana, que bom que pudeste viajar um bocadinho conosco pelo Brasil 🙂 Sim, Paraty fez-nos transportar para uma típica vila portuguesa!

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