Roadtrip pelo sudeste brasileiro – Parte II

Búzios, Cabo Frio e Arraial do Cabo

Depois de alguns dias na nossa roadtrip que saiu de Campinas, chegámos à costa. Já tínhamos uma certa saudade do mar, da praia, e de mais calor. De Petrópolis chegámos a Búzios, onde muitos brasileiros vão dar uma escapadinha de fim-de-semana, ou passar férias de praia.

Chegados ao alojamento que tínhamos marcado na noite anterior, apenas por duas noites, fomos recebidos com um sotaque brasileiro espanholado. Viemos a perceber que ali há muitos emigrantes argentinos. Com essa sonoridade, logo ecoou uma pergunta em tom muito chocado: “Só ficam duas noites?!”. “Sim”, respondemos envergonhadamente perante tal exaltação da recepcionista. ” Assim não vão conseguir ver nada!”, continuou. Tentámos explicar que o nosso tempo era limitado, mas julgo que não conseguimos apaziguar a senhora. Paciência!

Já no quarto, enquanto descansávamos depois da viagem de carro, fui encontrar um inseto daqueles que ninguém quer ver em quartos de hotéis, nem em lado nenhum para ser mais precisa. Sim, isso mesmo: uma barata, daquelas mesmo grandes, com umas antenas enormes! Fechei a porta da casa de banho, aos berros, como poderão imaginar, a pedir socorro ao João (que, por sinal, também não gosta nada de baratas, mas quem é que gosta?!). O João lá foi, de chinelo em punho, para matar a barata. Quando me anunciou que a missão estava cumprida fiquei mais sossegada, mas não muito, porque se havia ali uma barata daquele tamanho, deveria haver mais!

Pois, infelizmente eu estava certa. A mexer na mochila, sai de lá uma barata a correr! Nem queria acreditar: mais uma gigantesca! Lá foi o meu herói cumprir a tarefa de matar outra barata. Posto isto, começava a pensar se seria capaz de dormir ali. Já imaginava baratas a passearem por cima de mim enquanto me repousava!

Fomos dar uma volta e, na vinda, passei na recepção para dizer à senhora o sucedido. Ela até se riu! “Aqui no Brasil há cucarachas em todo o lado! Ahahah! Pode ir para um hotel de cinco estrelas que de certeza que também tem!”. Pois, ela não me convenceu, e foi a primeira vez no Brasil que tal nos tinha acontecido. Enfim, resignei-me à minha sorte.

Felizmente não avistámos mais nenhuma barata e conseguimos dormir tranquilamente.

No único dia completo que estivemos em Búzios explorámos praticamente tudo o que havia para ver. Fomos a várias praias, passeámos no centro de Armação dos Búzios e fomos aos miradouros. Foi uma delícia, como poderão ver.

Entre Búzios e o Rio de Janeiro há muitas praias, das quais nos aconselharam Cabo Frio e Arraial do Cabo. Seguir os conselhos dos locais nunca desilude! São praias de areia tão branca e tão fina que parece que estamos a caminhar em açúcar em pó.

Rio de Janeiro

Já há muito tempo que tinha vontade de visitar a Cidade Maravilhosa. Apesar de ser uma cidade conhecida pela sua elevada criminalidade, as fotos que via do Rio sempre me fascinaram e, portanto, a expectativa era muito elevada!

Chegámos pela ponte de Nitéroi, que atravessa a baía de Guanabara, a mesma baía que enganou os portugueses que aqui chegaram em Janeiro de 1502. Enganou porque lhes pareceu um rio. Daí surgiu o nome da cidade: Rio de Janeiro. Ao passar a ponte, já se avistava uma paisagem linda ao fundo, a mesma paisagem que via nas novelas da infância.

Tínhamos feito uma reserva de um quarto num novo AirBnB, com vista para a lagoa, e esse foi o nosso primeiro ponto de paragem. O apartamento era muito recente, bem decorado e realmente tinha uma vista magnífica…

Os três dias que passámos no Rio foram aproveitados ao máximo. Fomos ao Cristo Redentor, caminhámos pelas praias de Leblon, Ipanema e Copacabana, subimos até ao morro da Urca, fomos ao museu do Amanhã e deixámo-nos perder nas ruas do centro histórico da cidade.

 

Havia um certo receio na ida ao Rio de Janeiro, principalmente pela parte do João, que teve um colega de curso que foi assassinado na praia de Copacabana. As histórias da violência e criminalidade no Rio de Janeiro são muitas, o que nos fez ter cuidados redobrados. Deslocámo-nos muito de Uber, que funciona tão bem quanto em qualquer outra cidade onde utilizámos. Um dos condutores contou-nos que já tinha sido vítima de carjacking. Disse-nos também que com a Copa América a decorrer a cidade estava mais segura, porque havia muitos polícias nas ruas e os bandidos não arriscam tanto.

Os problemas de segurança fazem parte do dia-a-dia da população, e os nossos anfitriões do AirBnB diziam não ter problemas nenhuns naquele bairro. Ouvimos várias histórias de problemas no Rio de Janeiro, tal como ouvimos pessoas a dizer que era um exagero e que não nos devíamos assustar. Valeu muito a pena ir ao Rio de Janeiro.

Acho que posso dizer que o Rio de Janeiro foi a cidade mais bonita onde alguma vez estive (tirando a minha Aveiro, claro!). É uma cidade irreplicável. É mesmo uma “cidade maravilhosa”!

A beleza desta cidade está na sua geografia, nas suas montanhas, na sua vegetação circundante, nas suas praias. Isto, sem mencionar o ótimo clima, que permite fazer praia todo o ano. O Rio de Janeiro tem um potencial enorme e é realmente triste que seja uma cidade tão marcada pela violência, criminalidade, narcotráfico e grandes desigualdades sociais.

A baía de Guanabara vista do Morro da Urca

Estávamos tão receosos do Rio, mas ficámos verdadeiramente apaixonados.

 

Margarida

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