A dualidade: ir ou partir?

Às vezes penso que sou forte, às vezes penso que sou fraca. Às vezes não sei se vá para a direita ou para a esquerda. Às vezes penso que é tão fácil ser feliz, outras vezes penso que é tão complicado concretizarmos os nossos sonhos. Às vezes penso ainda bem que estou a fazer isto, outras penso mas porque é que estou a fazer isto? Às vezes quero ir, outras vezes quero ficar.

Posto isto, considero que devo ser mais complicada do que a maioria das pessoas. Não sei se toda a gente também se sente, por vezes, presa a uma dualidade em que quer fazer duas coisas ao mesmo tempo e não pode. Eu sinto-me muitas vezes assim. Adoro viajar, mas também adoro estar no meu País! Adoro aventura mas também adoro ficar no meu cantinho! Serei só eu?

Neste momento estou a sobrevoar o Brasil. Daqui a pouco aterro no aeroporto de Viracopos, Campinas, estado de São Paulo. É a última etapa desta viagem maluca que eu e o João quisemos fazer. Nem acredito que já passou quase um ano desde que mudámos de vida!

Passámos de dentista e engenheiro com um bom emprego, estável e bem remunerado, para uma vida nómada. Sem pouso. Não temos casa para onde ir a não ser a dos nossos pais! Às vezes questiono-me se foi a escolha certa, mas a resposta vem tão rápido que tenho a certeza que sim!

Não vou dizer que não cansa estar sempre a viajar. Cansa. E há dias em que gostava era de estar na minha casinha. Mas depois, logo de seguida, penso na sorte que tenho. Penso que ver o Mundo é muito mais do que o ver. É senti-lo, é aprender sobre a História das outras culturas. É maravilhar-se com a Natureza. É tornar-se mais responsável e mais consciente da sorte que temos. Conhecer o Mundo é também abrir a mente a outras formas de pensar e de viver. Nada é certo. Nada é errado. Tudo é diferente. Todos somos diferentes, e essa diferença faz-nos crescer.

Esta grande viagem tem-me mostrado muito acerca de mim própria e acerca do Mundo. Podia ter aprendido tudo o que aprendi até aqui sem sair de casa? Talvez, mas tenho a certeza de que não seria a mesma coisa.
Portanto, esta dualidade constante que existe dentro de mim, entre o partir e o ficar. Entre o querer estar ali e quando estou ali querer voltar ao sítio onde estava, é compensada pelas memórias que ficam. É compensada pelas imagens, pelos cheiros, pelas vozes de tudo o que vi e vivi.

Tudo vale a pena!

Margarida

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *