Vida de ilha na Indonésia: Bali, Gili, Lombok

Depois de Java, a maior ilha da Indonésia e a mais populosa do Mundo, seguimos para Bali, um destino turístico muito famoso.

Bali é uma ilha relativamente grande, e os transportes públicos não são a melhor opção. Como nos disse um condutor em Java, “o pior autocarro de Java é melhor do que o melhor autocarro em Bali”. Confirma-se! Chegados a Bali fomos à procura de um autocarro que nos deixasse em Madewi. Pediram-nos o triplo do preço que estava indicado no nosso guia da Lonely Planet. Não havia outra hipótese. Tentámos negociar para o preço que nos era indicado, sem efeito. O João já estava disposto a pagar. Afinal, o que é que íamos fazer? Eu disse-lhe para virarmos costas e foi remédio santo! Chamaram-nos logo e disseram que aceitavam o que tínhamos proposto pagar.

Chegámos a Medewi já de noite. Tínhamos reservado um alojamento mesmo ao pé da praia, mas ainda um pouco longe da estrada principal, onde o autocarro nos tinha deixado. A luz era fraca, mas felizmente os telemóveis de hoje-em-dia já têm uma lanterna! Percebemos que estávamos num sítio super tranquilo. De manhã, acordámos num cenário idílico: o sol a brilhar no céu azul, uma piscina infinita com vista para o mar, mesmo à nossa frente. As duas noites que tínhamos reservado ali prolongaram-se para três. Não que Medewi tivesse algo de extraordinário para visitar. O ritmo é que era extraordinário! Com muito poucos turistas, o hotel era excelente (apesar dos mosquitos) e barato! Não podíamos pedir mais.

Aproveitámos para dar passeios na praia, pelo meio dos arrozais, beber sumos naturais deliciosos, estar na borda da piscina a ler e, até, fazer surf! A melhor sessão de surf que alguma vez tive! (E já tinha tido umas quantas lições na gélida água da praia da Barra em Aveiro).

Estávamos com pena de sair dali, mas Bali é muito mais do que aquele pequeno recanto. Seguimos para Canggu onde decidimos fazer um “retiro” de yoga. Para quem não sabe, Bali é muito procurado para este género de atividades: yoga, surf e até tratamentos “detox”.

Ficámos num dos três alojamentos da “serenity eco guesthouse”, onde há imensas aulas de diversos tipos de yoga todos os dias. Têm também um restaurante com comida saudável, muita da qual raw [crua], e tudo vegetariano. Foi uma experiência muito boa, apesar de termos companheiros pequeninos e de bigodes no nosso quarto e de, na segunda noite, ter acordado com um olho super inchado e com bastante dor. Provavelmente um inseto que me picou!

Num dos dias alugámos um carro com motorista para nos levar a alguns dos pontos mais turísticos da ilha.

O último ponto de paragem na ilha foi Ubud, a “capital cultural” da ilha. Explorámos a cidade a pé, visitámos a “monkey forest”, templos, e deixámo-nos levar por entre os arrozais verdes de perder de vista.

Depois de Bali seguimos para Gili Air. Uma pequeníssima ilha alinhada com duas outras de semelhante tamanho (Gili Meno e Gili …). Um pedaço do paraíso na Terra. Ali, os únicos meios de transporte além das nossas próprias pernas são os cavalos e as bicicletas. O ambiente é do mais relaxado possível. Apesar de ter passado um bocado mal em termos de saúde, por causa de uma intoxicação alimentar que me fez subir a temperatura e tomar um antibiótico, fizemos uma snorkeling trip e um mergulho. E que delícia…

A vida debaixo do mar é extraordinária. Mergulhar é entrar num outro Mundo. Um Mundo a azul, onde todos os movimentos são suaves, onde a comunicação é unicamente gestual e onde as formas de vida são tão diferentes do que estamos habituados a ver que nos cria uma sensação de estarrecimento pela beleza da Natureza. Isto, se os corais estiverem vivos e se não virmos plásticos e lixo a sujar o ambiente marinho, como aconteceu em muitos lugares no sudeste asiático. Nesse caso, fico triste. Muito triste. Mergulhar é também ganhar consciência do que se passa além dos limites terrestres. É ver que as consequências do que os Humanos fazem em terra têm repercussões terríveis no mar.

Mas em Gili Air, para além do snorkeling fantástico, tive o melhor mergulho dos poucos mergulhos que já fiz. Para começar a água era quente e, para acabar, vimos tantas tartarugas que nem consigo contar! Que seres marinhos incríveis. Não dá para descrever, portanto deixo-vos com imagens.

Visto que estávamos a gostar tanto da vida em Gili Air, e que eu tive um pequeno percalço em termos de saúde, decidimos prolongar a nossa estadia ali ao máximo. Portanto, fomos para Lombok no dia anterior ao vôo que nos levaria embora da Indonésia.

Não conhecemos Lombok, apenas a estrada entre o porto e o aeroporto. Pareceu-me uma ilha ainda bastante verde, mais intocada do que a ilha vizinha de Bali. Não me arrependo de ter esticado a estadia em Gili Air e não ter visitado Lombok. Ficará para uma próxima, se alguma vez voltarmos a passear por estes lados!

Margarida

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