Malaca: onde Portugal se cruza com a Malásia

Portugal é um país pequeno que se espalhou pelo Mundo na altura dos descobrimentos, quando se lançou “por mares nunca antes navegados”. Nesta pequena descoberta do Mundo que nos propusemos fazer ao longo de um ano, vamos também tropeçando nalguns locais que os nossos antepassados dos séculos XV e XVI alcançaram. Primeiro, no “cabo da boa esperança” (África do Sul), que os portugueses dobraram em 1488, abrindo as portas ao caminho marítimo para a Índia e, depois, em Moçambique, colónia portuguesa até 1975.

Se, por um lado é interessante esta sensação de que os portugueses já estiveram um bocadinho por toda a parte, por outro, há um lado mais negro no colonialismo. Um lado que não é muito debatido, talvez porque não interesse, talvez porque já tenha passado.

Pondo este questionamento de parte, aproveitámos a visita a Malaca para conhecer mais sobre a sua História. Quando Afonso de Albuquerque chegou em Abril de 1511 com uma frota de 1200 homens e cerca de 18 navios, iniciaram-se confrontos que duraram 40 dias, após os quais os Portugueses se apoderaram da cidade, passando assim a controlar todo o comércio que por ali passava.

Pelo que nos contaram o domínio português não foi pacífico. As altas taxas comerciais que impôs não agradaram nada aos comerciantes. Além disso, as diferenças religiosas entre cristãos e muçulmanos fizeram-se sentir, e Malaca acabou por se tornar num porto hostil aos povos vizinhos, entrando em declínio. Os holandeses, aproveitando essa situação de descontentamento generalizado em relação ao domínio português, conquistaram a cidade. Assim, após 130 anos de domínio, os portugueses viram-se obrigados a abandonar a sua colónia, em 1641.

Malaca foi cedida aos britânicos no tratado Anglo-Holandês de 1824 por troca de um território em Sumatra. Desde 1824 até 1942, Malaca esteve sob o domínio britânico, primeiro pela companhia britânica das índias orientais e, depois, como colónia da coroa. A Grã-Bretanha foi responsável pela introdução e desenvolvimento de muitas infraestruturas no país, nomeadamente o sistema de caminhos de ferro.

Hoje em dia Malaca já não tem um porto importante, mas possui muitos monumentos, ruínas e museus que relembram a sua História, o que a torna numa cidade muito procurada por turistas.

Atravessando a cidade a pé, para além dos edifícios históricos vimos uma fortaleza, construída pelos Portugueses e expandida pelos Holandeses.

Malaca é isto, um misto de história, destruições, ampliações e reconstruções pelos Portugueses, Holandeses e Ingleses.

O museu Marítimo incluí uma réplica da Nau Portuguesa Flor do mar, que pode ser visitada e tem uma exposição muito completa no interior. Foi o local onde mais aprendemos sobre Malaca, pelo que recomendamos a visita!

Ao longo do dia fomo-nos cruzando com marvilhosos monumentos cheios de história, relembrando o passado grandioso desta cidade portuária.

Malaca é uma cidade muito turística por boas razões, mas é facilmente esquecida no roteiro entre Kuala Lumpur e Singapura. Valeu a pena a paragem!

Margarida e João

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