Luang Namtha: trilho na selva

Depois de Luang Prabang não sabíamos bem para onde ir. Acabámos por decidir que Luang Namtha seria o próximo destino. Não propriamente a cidade, mas o parque nacional Nam Tha que, segundo o nosso guia da Lonely Planet, é uma das áreas naturais mais acessíveis do Laos, onde ainda existem leopardos e possivelemente alguns tigres.

Tínhamos considerado fazer dois dias na floresta mas acabámos por optar pela excursão de um dia, e foi mais surpreendente do que tínhamos esperado. Não apenas pela beleza da selva em si, cheia de palmeiras, bananeiras e sobretudo bambu, mas também pela experiência gastronómica que tivemos.

Nunca tínhamos tido uma refeição preparada como esta. É difícil explicar todos os processos que o nosso guia executou para cozinhar arroz ao vapor com peixe grelhado recheado e molhos de tomate e beringela. Os ingredientes não foram colhidos na selva (tínhamos começado o dia por ir ao mercado local comprá-los), mas tudo o que se usou para cozinhar (exceto a grande faca que o guia trazia consigo, que tanto servia para derrubar vegetação como para cortar os alimentos) foi recolhido na selva.

Os piri-piris à venda no mercado (no sudeste asiático parece que são sempre extra picantes!).

A caminhada na selva.

Começámos por preparar a fogueira, recolher madeira, enquanto o guia cortava bambus com a sua faca. O bambu foi usado para cozer o arroz ao vapor, e para criar uma espécie de grelha à volta do peixe recheado. Foi também feito um almofariz e pilão a partir de bambu. Uma bananeira foi derrubada para lhe retirar a flor, que foi posta nas brasas para depois ser comida. A execução do almoço demorou cerca de duas horas.

Folhas de bananeira foram usadas como banca de cozinha para preparação dos alimentos, como recipiente, mesa e ainda como base para os nossos traseiros se sentarem no chão. Pensei que o guia fizesse uns pauzinhos para comermos mas não, foi mesmo à mão. Uma verdadeira refeição partilhada que soube incrivelmente bem!

O nosso guia a cortar bambu.
Esta espécie de mini cesto de banbu foi usado para segurar o arroz dentro do bambu para que fosse cozido a vapor e não dentro da água.

O arroz a ser cozinhado.
A refeição pronta!

A caminhada que se seguiu não foi fácil. Uma subida íngreme estava à nossa espera depois de termos enchido as barrigas. O calor era difícil de suportar apesar de a vegetação densa nos proporcionar muita sombra! Não avistámos tigres nem leopardos. Infelizmente, se há uns anos estes animais eram frequentes no sudeste asiático, atualmente quase não existem no seu habitat natural!

Por fim, chegámos à vila de uma das etnias desta região, com as suas casinhas de bambu e madeira, as galinhas e porcos a correrem pelas ruas de terra batida. Esperámos pelo nosso ‘transfer’ para a cidade. Julgávamos que íamos de tuk-tuk, no entanto fomos de mota! Essa sim, foi a pior viagem da minha vida! Temi praticamente o tempo todo que fossemos cair. A estrada era de terra batida, cheia de buracos, aos altos e baixos, e o rapazinho que ia a guiar a mota onde eu ia não tinha qualquer problema com a velocidade. Pensei para mim que se saísse ilesa desta viagem, nunca mais voltaria a andar de mota com um estranho!

Quando finalmente chegámos de volta a Luang Namtha, quase não conseguia andar porque tinha feito tanta força com as pernas (não havia supporte para os os pés), e também me doíam os pulsos de ter agarrado com tanto a parte de trás da mota (não que isso resolvesse alguma coisa em caso de queda!). Sã e salva, estava muito contente de ter voltado a pôr os pés em terra firme. O João, impávido e sereno, que tinha ido com outro condutor noutra mota, estava todo sorridente e até me disse que tinha tirado umas fotos incríveis ao pôr-do-sol! Eu nem queria acreditar que tinha temido pelas nossas vidas e para ele tinha sido uma viagem perfeitamente normal…

Margarida

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