Luang Prabang

Depois de uma longa e extenuante viagem de autocarro que atravessou o norte do Laos, chegámos a Luang Prabang.

Estávamos exaustos! De noite, fomos a pé até ao nosso hotel, que estava fechado, sem sinais de vida. A campainha não funcionava. Batemos à porta. Ninguém veio abrir. Começámos a gritar “hello”, apesar da hora avançada. Finalmente veio um rapaz e deu-nos a tão esperada chave para o quarto. Enfim, fomos dormir!

Além da viagem desse dia, estava exausta de toda a viagem pelo sudeste asiático. Começava a achar que devíamos regressar mais cedo a Portugal. Estava cansada destas cidades, destas hordes de turistas por todo o lado, da confusão dos carros e das motas, da poluição. Estava farta da comida que ia variando entre noodles, arroz, galinha e porco! Comecei a duvidar acerca da minha capacidade para completar o meu sonho de viajar à volta do Mundo. Afinal, talvez não fosse para mim toda esta aventura.

Muitos momentos pensei apenas que queria voltar a ter a minha casinha. Voltar a ter as rotinas de sempre. Imagino que para quem nunca viajou muito tempo seguido isto seja difícil de compreender. Para mim também era. Ali estava eu, a concretizar um dos grandes sonhos da minha vida, cheia de cansaço e cheia de dúvidas.

Luang Prabang foi a cidade certa, no momento certo.

Na manhã seguinte acordámos tarde. Não tínhamos grandes planos. Marcámos no mapa os pontos de interesse que o nosso guia referia, passámos o rio Nam Khan em direção ao centro, e ficámos maravilhados com o que encontrámos.

A ponte de bambu é refeita todos os anos quando acaba a época das chuvas e permite atravessar o rio Khan.

Luang Prabang não era como as cidades onde tínhamos estado até aí. Luang Prabang foi como encontrar uma pedra preciosa escondida no nosso caminho. As ruas estavam quase vazias, as casas eram todas do mesmo estilo colonial francês. Estavam bem preservadas, e tudo estava limpo. Não havia plástico no chão, nem cheiro a fumo ou a esgotos pelas ruas (o que até aí era habitual). Os passeios estavam arranjados e transitáveis (tanto no Cambodja como no Vietname os passeios estão sempre ocupados com motas, carros ou barraquinhas de venda de comida).

Finalmente tínhamos encontrado uma cidade bonita, calma, que respirava uma paz extraordinária.

Visitámos vários templos, o palácio real, o mercado noturno e uma exposição fotográfica acerca dos monges budistas de Luang Prabang.

O estilo colonial francês bem evidente num dos hotéis da cidade.
“Meditação em Luang Prabang: an exhibition of the Buddhist Archive of Photography with historic photographs from monastic collections and photography by Hans Georg Berger of the Sangha’s Vipassana Teaching Retreats”.

Wat Xieng Thong é o mosteiro budista mais conhecido em Luang Prabang, com vários edifícios majestosamente trabalhados.

 

Centro de Artes Tradicionais e Etnologia (TAEC): localizado numa mansão que era a residência de um magistrado francês e um dos edifícios mais opulentes dos anos 1920. Além do museu tem também um café e uma loja.

 

O mercado noturno começa ao fim da tarde numa das ruas principais da cidade onde os carros são substituídos por tendas que vendem os mais diversos produtos locais.
Templo no complexo do palácio real.
Evocando o estilo tradicional laociano e o estilo beaux-arts francês, o Palácio Real foi construído em 1904 e foi a casa do rei Sisavang Vong (reinado 1905-59). Infelizmente o interior não pode ser fotografado!
Parecia que estávamos numa outra época!

A comida foi também uma agradável surpresa! A cidade está cheia de restaurantes e cafés piturescos, e até encontrámos uma padaria/ pastelaria deliciosa! Por estes lados encontrar bom pão é praticamente impossível.

Mas o melhor ainda estava por vir! As cascatas de Tat Kuang Si foram uma visão paradísiaca da natureza.

Numa grande viagem há sempre altos e baixos. Luang Prabang foi definitivamente um ponto alto. Reconfortou-me e fez-me voltar a acreditar que esta aventura tinha todo o sentido.

Margarida

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