Os templos de Angkor

Depois de quatro dias em Banguecoque, finalmente apanhámos o autocarro rumo a Siem Reap, no Cambodja. A verdade é que pouco ou nada sabíamos acerca deste país, mas ficámos agradavelmente surpreendidos com a simpatia genuína deste povo (esquemas para enganar os turistas à parte).

O Cambodja é um dos países mais pobres do sudeste asiático e, embora já tenha sido o centro de uma grande civilização (era Angkoriana, de 802 a 1432 D.C.), foi sempre um país muito fustigado por guerras com os países vizinhos. mesmo depois da sua recente independência, em 1953, sofreu uma das mais terríveis restruturações sociais de todos os tempos. Este período negro na história do Cambodja é conhecido como Khmer Rouge (1975-1979), e foi responsável pela morte de cerca de dois milhões de pessoas.

Angkor era a cidade, que no seu expoente máximo tinha uma população de 1.000.000 de pessoas, na mesma altura que Londres era uma pequena cidade com 50.000. Porém, tal como aconteceu com os egípcios, os gregos e os romanos, também esta civilização teve os dias contados. De tal modo que estes templos ficaram ao abandono, tendo sido redescobertos pelos franceses no início do século XX.

Entretanto a selva já se tinha apoderado destas fabulosas construções. Apenas os templos restaram da era Angkoriana pois, segundo as crenças na altura, as contruções em pedra eram apenas atribuídas aos deuses. Os homens, viviam em casas de madeira ou folha de palma, até mesmo o rei!

Felizmente o Khmer Rouge não destruiu estes templos, e até muito recentemente foram empreendidas várias obras de requalificação, permitindo aos turistas apreciarem a beleza deste local.

Há dezenas de templos em Angkor e, segundo o nosso guia da Lonely Travel, passar apenas um dia a explorar Angkor é um sacrilégio! Portanto, optámos por três dias, sendo que experimentámos três meios diferentes para visitar os templos.

No primeiro dia optámos por uma visita com um guia, numa minivan, o que valeu imensamente a pena. Visitámos os três principais templos de Angkor e conseguimos aprender muito mais sobre a sua história desde o tempo em que foram construídos até aos dias de hoje.

Angkor Wat:

Angkor Thom: Bayon Temple

Ta Keo:

Ta Prohm:

 

No segundo dia alugámos uma bicicleta (de longe, a maneira mais económica). Porém, o calor intenso (temperaturas a rondar os 35 C) e a elevada humidade, triplicaram o esforço que tivemos que fazer para percorrer os cerca de 35km que fizemos. Por isso desistimos de alugar novamente bicicleta no dia seguinte.

Bakong:

Preah Ko:

 

No terceiro e último dia fomos de tuk-tuk.

Nascer do sol em Angkor Wat: imensos turistas começam a aparecer desde as cinco horas da manhã para ver o nascer do sol por trás deste templo. Estávamos à espera de algo mais bonito, mas foi uma boa experiència!

Pre Rup:

Banteay Srey: a jóia da coroa dos templos de Angkor no que se refere aos baixos-relevos.

Preah Khan:

Neak Poan:

Ta Som:

East Mebon:

Banteay Kdei:

 

Três dias inesquecíveis. Três dias que nos fizeram esquecer a confusão de Banguecoque e nos permitiram mergulhar na história das origens deste povo sofrido e humilde, mas que em tempos foi dos mais poderosos desta região.

Contudo, Siem Reap não são só templos. Esta cidade também fervilha de energia. À noite, a marginal do rio enche-se de barraquinhas de street food onde se consegue comer por $1. As crianças também ajudam os pais no negócio, desde muito pequenas. É incrível a sua eficiência, competência e amabilidade. Nunca tinha visto nada assim, e na Europa seria proibido. Ver uma menina de cerca de 5 anos a entregar os pedidos à mesa, receber o dinheiro, dar o troco, recolher os pratos, separar o lixo deixado pelos clientes, limpar as mesas, colocar as cadeiras nos sítios certos, foi algo que me impressionou deveras e que nunca vou esquecer. E depois de toda essa energia, ainda ser capaz de se sentar por uns breves segundos de pausa, a ler um livro!

Margarida

 

 

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