Não mudes, África

África, ao longo de três meses trilhei o teu corpo dourado e quente. De camião, de barco, de carro e a pé. Deixaste-me apaixonada!

África, não queiras ser aquilo que não és. Não te queiras tornar na sociedade consumista de onde eu venho, onde cada um olha por si próprio.

Em ti, encontrei a ligação à Natureza.

Há quem te chame nomes. De onde venho dizem que és sub-desenvolvida, pobre, cheia de misérias. Pois eu digo, guardas em ti as maiores riquezas.

Preserva-te como és.

Por favor não mudes.

As tuas gentes vivem sobre o teu solo tórrido à sua maneira, ao seu ritmo. São gentes simples que ainda vivem em comunhão com a Natureza e que ainda olham pelos outros à sua volta.

Questiono-me acerca das marcas que os teus colonizadores, entre os quais os meus antepassados, te deixaram. As feridas que ainda não estão saradas.

Talvez eu própria esteja a falar num tom injusto para aqueles que tu viste nascer. Mas só gostava que nada disso mudasse, porque aquilo que vi foi a maior riqueza que alguma vez os meus olhos vislumbraram.

Ver a vida selvagem no Massai Mara, no Ngorongoro e Serengueti, no South Luangwa, Chobe, Etosha, percorrer o delta do Okavango de mokoro, ver as praias de Zanzibar, ver e sentir as impressionante cataratas Victoria, subir as dunas no deserto da Namíbia, descer Table Mountain, avistar majestosas baleias na costa de Hermanus, fazer mergulho em Moçambique e deixar-me maravilhar pelas cores daqueles peixes e daquele mar… E tanto, tanto mais deixou-me feliz e fez-me sentir viva, agradecida e abençoada.
Espero que as tuas gentes possam viver melhor, mas não deixes que percam as raízes às suas culturas étnicas nem à sua conexão à Natureza. Não deixes que lhes levem o sorriso do rosto.

Isto é África. Um pôr-do-sol para além das palavras. Uma noite sob um céu estrelado a perder de vista na savana. A calmaria de um delta entrecortado de vegetação. Uma tarde de calor à procura das tuas maiores riquezas: girafas, gnus, leões, hipopótamos, zebras, búfalos, crocodilos, impalas… Olhar para o silêncio da savana e acreditar que tudo é possível. Ver a beleza de tudo à nossa volta.

Obrigada por me deixares vir até ti!

Não mudes África!

Parto daqui com a certeza de que quero voltar e com a responsabilidade acrescida de saber que é preciso lutar para que o nosso planeta se mantenha assim: simplesmente belo!

Margarida

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