Viagem no tempo em Maputo

Desde sempre que me lembro de ouvir falar em Lourenço Marques. A cidade para onde os meus avós foram viver depois de se casarem. A cidade onde a minha mãe nasceu e cresceu até aos treze anos.

Lourenço Marques sempre foi, para mim, um imaginário cheio de felicidade, onde os meus avós viviam bem, e onde gostariam de ter ficado, não fossem os tumultos originados pela guerra colonial e consequente independência de Moçambique em 1974.

Sempre me imaginei a vir cá com a minha avó e a minha mãe. Três gerações juntas num passado que não foi o meu mas que sempre me suscitou muita curiosidade.

Atualmente quase todas as ruas têm outro nome, e a cidade também: Maputo.

Visitar Maputo foi como que entrar numa máquina do tempo e rever, através das palavras da minha família, a vida que cá tiveram. Maputo ficou como que parada desde a independência, o que torna esta viagem no tempo ainda mais real.

É como se tivesse sido eu quem cá viveu. 

A cidade está maltratada, mas os prédios, edifícios públicos e igrejas são exatamente os mesmos… Apenas com mais anos, sem manutenção e certamente com bem mais lixo nas ruas.

Esta cidade, um pouco em ruínas, trouxe-me muitas emoções. É impossível explicar o que se sente quando se viaja no tempo. 

Obrigada Maputo por não teres mudado assim tanto desde o tempo dos meus avós. Vir aqui foi muito mais do que uma viagem a uma país estrangeiro. Foi um avivar as memórias dos meus familiares que por aqui andaram já há tantos anos, tornando-as minhas.

O delicioso marisco de Moçambique, que tivemos o prazer de partilhar com amigos

Um marco do correio, ainda com o símbolo de Portugal.

A igreja de Santa Ana da Munhuana, onde a minha mãe e avó iam à missa.

O prédio onde a minha família viveu. Praticamente todas as construções deixadas pelos portugueses estão muito degradadas.

O mercado Municipal.

A biblioteca nacional de Moçambique.

O edifício dos caminhos de ferro de Moçambique (CFM), empresa onde o meu avô trabalhou. É considerada uma das 10 estações mais bonitas do Mundo, e foi reabilitada em 2015. Foi a estação mais bonita onde alguma vez estive!

Os famosos piri-piris de Moçambique, no mercado.

A fortaleza de Maputo, vestígio das primeiras ocupações portuguesas desta cidade (em baixo, o seu interior).

O jardim Tunduru foi também requalificado em 2015 e está impecável. O planeamento urbanístico desta cidade, feito nos fins do século XIX início do século XX foi extraordinário. Melhor do que qualquer cidade que eu conheça em Portugal.

A casa de Ferro, importada da Bélgica foi uma obra do arquiteto Gustave Eiffel.

O centro Franco-Moçambicano.

Praça da independência. Ao centro vemos uma estátua de Samora Machel (antes da independência existia aqui uma estátua de Mouzinho de Albuquerque, que se encontra atualmente no interior da fortaleza de Maputo), à direita a Catedral de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e à esquerda o edifício do Conselho Municipal de Maputo.

A Catedral de Maputo.

Não, este não foi o hotel onde nós ficámos! Este é o hotel Polana, o mais antigo e mais famoso da cidade.

Na FEIMA (Feira de Artesanato Flores e Gastronomia de Maputo) o difícil é escolher!

A bela fachada do Museu de História Natural.

Margarida

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