Namíbia

Este foi, em linhas largas, o nosso percurso pela Namíbia…

Ao entrar na Namíbia, depois de já termos percorrido muitos quilómetros desde o Quénia, parece que entrámos num outro continente. Já não parecia África. A Namíbia é um país enorme mas com apenas 2,5 milhões de habitantes. Porquê? Porque há muito, muito deserto!

Na Namíbia passámos muito calor, mas também a pior tempestade que eu alguma vez vi. A capital, Windoek, é bastante desinteressante. Além disso passámos lá a um domingo, pelo que estava tudo fechado e o movimento nas ruas era muito pouco.

Seguimos para o Parque Nacional Etosha, onde fizemos dois dias inteiros de safari no camião, e o calor foi muito difícil de aguentar. As distâncias são muito grandes (percorremos o parque de um lado ao outro), mas a quantidade de animais que se vê, comparativamente aos outros parques que já tínhamos visitado, era muito pequena. Felizmente vimos dois rinocerontes, a única espécie dos Big 5 que nos faltava! A aridez é extrema e portanto é sobretudo à volta dos pontos de água que existem no parque (alguns naturais outros artificiais), que podemos apreciar um maior número de animais selvagens.

Depois do Etosha fomos a Spitzkoppe, conhecido como o “Matterhorn da Namíbia” e localizado no deserto do Namibe. Aqui, pudemos apreciar uma paisagem que lembra Marte. É de cortar a respiração!

Aqui, nesta paisagem do outro Mundo, tivemos a oportunidade de observar uma espécie de pinturas rupestres, mas que são chamadas bushman paintings, por terem sido feitas por esse povo nómada que habitava o deserto do Namibe há mais de 4000 anos.

Pelo que percebemos das explicações do guia, até há algumas décadas estas pinturas ainda eram feitas por membros desta tribo, que mantinham as práticas ancestrais dos seus antepassados. Nomeadamente quanto ao nomadismo, caça, pinturas nas rochas e colocação de água dentro de ovos de avestruzes que deixavam debaixo de terra.

Swakopmund foi a paragem seguinte, por duas noites, num hotel e não numa tenda! Foi como se tivessemos aterrado no melhor hotel do Mundo. Ter uma cama e uma casa de banho só para nós foi, naquele momento, o maior luxo que poderíamos desejar.

Esta cidade parece europeia, e tem uma grande infuência alemã. Aliás, a língua que mais se houve falar é o alemão! O ar fresco não permitiu aproveitar a praia, mas relaxámos e conhecemos esta pequena cidade entre o mar e o deserto.

Depois desta estadia de “luxo” voltámos à tenda. As duas noites seguintes foram passadas no meio do nada, em Sesriem. O parque de campismo não tinha nada além de dois blocos de casas de banho sem telhado e uma pequena piscina com um também pequeno relvado à volta. Havia também um bloco de cimento a fazer de balcão de cozinha, uma lâmpada e uma tomada elétrica. À nossa volta era só deserto!

A primeira noite correu bem. Agora a segunda, foi uma história diferente…

Durante a manhã tínhamos ido subir à Duna 45 e visitámos o parque Namib-Naukluft, no qual se encontra o Deadvlei, ao lado da maior duna deste parque: a “Big Daddy”, com mais de 300m de altura (é uma das maiores do Mundo). O Deadvlei é uma bacia de argila branca, onde estão várias árvores como que mumificadas.

O [solo de argila branca foi formado após uma grande precipitação, quando o rio Tsauchab inundou formando rasas e temporárias piscinas, onde a abundância de água permitiu a uma espécie de acácias (Acacia erioloba) a se desenvolver. Porém, a ocorrência de algumas mudanças climáticas fez com que dunas de areia invadissem a área junto ao rio, impedindo que este chegasse à região. Isto, portanto, ocasionou uma grande aridez, e transformou o local no que hoje é conhecido como Dead Vlei. As árvores então morreram, por não haver mais água suficiente para sua sobrevivência.in wikipedia

Quando voltámos ao parque de campismo já havia muito vento e tínhamos sido alertados para as precauções a tomar na situação de chuva ou de ventos fortes.

No entanto, não tínhamos sido alertados para a situação de chuva E ventos fortes!!! Da minha parte, quando comecei a ficar preocupada com a situação, foi um momento de pânico. Comecei a dar ordens ao João para baixarmos a tenda, para pormos a proteção da tenda, que depois de perceber que ainda era pior, seguiu-se a ordem para a tirar. Eu já não sabia para que lado me havia de virar. Estava literalmente a PANICAR!

A maioria dos colegas de grupo já tinha deixado as tendas e estava dentro do camião. Trovões soavam e relâmpagos magnificientes viam-se por perto, ou assim me parecia.

Tínhamos deixado quase todos os nossos pertences dentro da tenda enquanto esperávamos que a situação melhorasse. Como esse cenário não acontecia, voltámos à tenda, e tirámos tudo. Pusemos a tenda completamente em baixo.

Enquanto os minutos passavam, fomos vendo a nossa e outras tendas a ficarem completamente alagadas no dilúvio que estávamos a presenciar.

Momentos de granizo forte também se fizeram sentir. Como é possível isto estar a acontecer no meio do deserto?, perguntava eu a mim mesma.

Enfim, o jantar foi preparado dentro do camião, e viemos a saber que já não chovia assim naquele deserto há cerca de 7 anos. Não tivemos sorte, mas a verdade é que nunca vamos esquecer este episódio, que agora até achamos caricato. Dormimos no camião. A maioria foi corajosa e regressou às tendas, mas a noite não foi nada tranquila para esses. Nem para nós, a bem da verdade!

As aventuras em África são feitas disto mesmo. Há momentos que são como que um teste à nossa resistência. No fim, vale muito a pena.

Depois de uma noite mal dormida, seguimos para o Fish River Canyon, o segundo maior desfiladeiro do Mundo. Tal como o Grand Canyon, nos EUA, este é igualmente impressionante. Não há palavras que possam descrever a beleza de tal paisagem, onde as montanhas foram como que recortadas ao longo de milhões de anos. É extraordinário poder ter estes encontros magnânimes com a Natureza.

Margarida

 

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