Incursão no delta do Okavango

Esta viagem tem sido cheia de emoções, de novas experiências e de contacto com culturas muito diferentes da nossa.
A ida ao Delta do Okavango foi mais um ponto alto nesta aventura por África.
O rio Okavango tem origem em Angola, e desaparece no deserto do Kalahari, onde cria um intrincado sistema de canais que são separados por incontáveis ilhas, até desaparecer por completo na areia do deserto.
O delta do Okavango cobre mais de 15000km2 e, apesar de eu ter descoberto apenas uma pequeníssima parte do seu ecossistema, foi das paisagens mais bonitas que vi, e das experiências mais extraordinárias que tive em toda a minha vida!
A nossa incursão no delta foi feita num barco local, o mokoro, que é uma espécie de canoa, mas sem remos. São os polers que, com o ‘pole’ nos vão empurrando por entre a densa vegetação que emerge da água. Foi como estar dentro de um documentário da National Geographic. E ao mesmo tempo, foi um momento de grande paz. Só o barulho da água e dos passarinhos nos rodeava. O sol já estava quente apesar de ainda não muito alto. O verde da vegetação e o azul do céu criavam um contraste tranquilo.
A hora que passou desde que deixámos a margem até que chegámos ao acampamento foi, de facto, um momento de deslumbramento com a Natureza. Vimos também alguns elefantes, sapos, várias espécies de pássaros e hipopótamos . No regresso, estes últimos, foram os protagonistas do maior susto da minha vida, mas já lá vamos…
Chegados ao acampamento por volta das 10h30, o calor era insuportável, mas foi-se adensando ainda mais com o passar das horas.
Ao final da tarde fomos fazer uma espécie de safari, mas a pé! Sabíamos que o delta do Okavango era rico em vida animal, incluindo leões, búfalos e leopardos, mas o cenário era tão pacífico que não me parecia realista ter medo do que quer que fosse.
Vim a saber mais tarde que o guia já tinha estado em mais do que uma situação perigosa com leões… Ainda bem que não soube disso antes!
O nosso guia, Sparks, era muito tímido, e o mais alto e magrinho de todos os polers que transportam o nosso grupo, mas estava sempre sorridente e tinha uns olhos de lince! Via animais a uma distância que eu nunca conseguiria ver. Era impressionante!
Apesar de não termos visto animais em grande número, foi uma experiência incrível. Muito diferente de um safari feito num 4×4, onde o barulho do motor não nos deixa perceber a paz que é estar no meio da sinfonia da Natureza.
É realmente belo estar na savana africana. O pôr-do-sol foi um dos mais incríveis também.
Chegados ao acampamento já era hora de jantar. Seguiu-se um momento à volta da fogueira, debaixo de um céu magnífico.
No dia seguinte fizemos a viagem de regresso nos mokoros, apreciando novamente a beleza da paisagem e da vida animal. Já perto da margem, enquanto fotografava uns hipopótamos que estavam bem distantes, surge um, de repente, mesmo ao nosso lado, a fazer um barulho ameaçador e a abrir a sua boca gigante. Aí sim, foi o maior susto da minha vida! O nosso poler apressou-se a levar o mokoro para o lado, de modo a ficarmos com mais vegetação à nossa volta, e daí até à margem.
Para quem não sabe, os hipopótamos são os animais que mais mortes causam. Podem parecer animais grandes e lentos, mas debaixo de água movem-se muito rápido, e devido ao seu tamanho são extremamente mortíferos quando se sentem ameaçados.
O meu coração começou a bater a um ritmo enorme e só acalmou quando pus os pés em terra firme! Felizmente tudo correu bem e estou cá para contar a história.
Se vieres a África, vem ao Botswana… Vais-te apaixonar para sempre!
Margarida

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