Cataratas Victoria

Após três semanas na viagem overland, toda a gente já tinha ouvido falar muito sobre as cascatas Victoria. Algumas pessoas do grupo já lá tinham estado, mas para a maioria (incluindo nós) era a primeira vez.

Até mesmo a cidade no Zimbabwe recebe o nome das famosas cascatas, Victoria Falls. Conhecidas localmente como Mosi-oa-Tunya (que significa “o fumo que troveja”) incluem-se entre as maiores cascatas do mundo, e a sua importância turística tornou a cidade no que é hoje em dia.

A cidade propriamente dita é um centro de actividades de aventura e tem muitos restaurantes, hotéis, parques de campismo e agentes de venda de atividades. Algumas das mais populares são o rafting, bungee jumping, um baloiço enorme, rappel e viagens de helicóptero.

Não tínhamos pensado em fazer nenhuma delas, principalmente porque os preços são bastante altos, mas entretanto decidimos fazer rafting se encontrássemos um bom negócio. O preço base era UDS$130 por pessoa, anunciado nas várias empresas.

Como na maior parte dos locais turísticos, rapidamente fomos abordados por uma pessoa na rua que vendia todos os tipos de serviços. Depois de lhe perguntar os preços do rafting e regatear um bocado, ele chegou ao preço de USD$150 para os dois. Dissemos que íamos pensar nisso e continuámos pela cidade.

Quando nos decidimos a fazer o rafting por aquele preço, nunca mais o voltámos a ver! Como nesta altura já estava muito motivado, fiquei determinado a conseguir o mesmo preço ou melhor. Fui  cidade fora sozinho para tentar marcar rafting para o dia seguinte. Rapidamente apercebi-me de que só havia quatro companhias que faziam rafting, todas as outras eram apenas agentes de reservas. A maior parte não queria negociar, e o preço que apresentavam era USD$130 em todo o lado ($120+$10 de entrada no parque nacional). Houve um que propôs USD$110, mas eu queria mais baixo porque já sabia que USD$75 era possível!

Após 7 ou 8 tentativas em locais diferentes, finalmente encontrei um agente disposto a negociar. Levou cerca de meia hora, mas acordámos o preço de USD$150 para os dois! No dia seguinte íamos fazer rafting!

Rafting no rio Zambeze

No dia seguinte encontrámo-nos com outra cliente no escritório da companhia que opera o rafting, e sentámo-nos à espera de outros dois clientes. Como os barcos levam 8 pessoas e pagámos um preço reduzido, estávamos à espera que o barco fosse cheio. As duas pessoas de quem estávamos à espera ficaram presas na fronteira com do Botswana, portanto eramos só 3 clientes! Fomos na mesma, com um guia extra e outro em formação para ajudar, visto o barco ir tão vazio.

Entrámos para uma carrinha e passado uma curta viagem chegámos ao ponto de partida. O rio está muito abaixo do nível da estrada, portanto tivemos que descer a pé, com o remo na mão. A descida é muito bonita e não foi difícil. Encontrámo-nos de novo com o guia lá em baixo, chamado Sugar. O Sugar achou que ainda eramos poucos no barco, e convidou outro aprendiz de outra empresa para vir também connosco.

Capecetes nas cabeças, remo na mão e estavamos dentro do barco. As instruções foram curtas mas claras. O Sugar grita “em frente”: nós remamos. Grita “mais rápido”: remamos mais rápido. Grita PARA BAIXO: saltamos do assento, colocamo-nos de cócoras virados para o lado e agarramo-nos à corda que corre ao longo do barco enquanto rezamos para não sermos atirados borda fora.

Para além disto houve apenas uma curta explicação de como virar o barco, e de como o Zambezi é um “rio em piscinas”. Isto quer dizer que a seguir a cada rápido há uma longa zona com água calma.

Já mencionei que iamos fazer 18 rápidos, alguns deles nível 5, o nível mais alto que empresas podem explorar comercialmente?

Mal tivemos tempo para interiorizar tudo o que tinhamos ouvido e já estavamos a chegar ao primeiro rápido. EM FRENTE. Começamos a remar, tentado acompanhar o ritmo dos guias musculados à nossa frente. MAIS RÁPIDO.  Atingimos o rápido, com água por todos os lados, e as maiores ondas à nossa frente. PARA BAIXO saltamos para o que é suposto ser um agachamento mas estamos é ajoelhados, agarramo-nos à corda enquanto sentimos o barco a ser levado à mercê do rio, e tomamos um banho de todos os lados.

Quando o nosso guia nos diz para voltarmos a sentar e chegamos à zona calma do rio, olho à volta e ainda estão todos a bordo. As lentes de contacto da Margarida saíram do sítio, mas felizmente não as perdeu. Das próximas vezes a melhor solução é fechar os olhos!

Continuamos a remar, e chegamos ao próximo rápido. O nosso guia, Sugar, diz-nos os nomes dos rápidos à medida que nos vamos aproximando. Os nomes são muito reconfortantes, com traduções literais como: sanita do diabo, mandíbulas da morte, máquina de lavar, exterminador…

No terceiro rápido um dos guias aprendizes foi atirado borda fora, mas regressou rápidamente para dentro. A seguir aos rápidos mais difíceis, o nosso guia propunha um hi-five! que consistia em elevarmos os remos e juntá-los em cima no centro do barco. Numa dessas vezes a água ainda estava agitada, e eu caí para trás quando uma pequena onda bateu no barco e eu não tinha apoio.

Ao tentar vir à superfície não conseguia por algum motivo, e apercebi-me rapidamente que estava debaixo do barco! Lembrei-me do que o guia disse sobre esta situação e empurrei com as mãos por cima da cabeça, até sair de baixo do barco. Já tinha passado a pior parte do rápido, mas mesmo assim a água ainda me agitou um bocado até conseguir voltar a nadar para o barco.

O cenário é lindo, e continuámos a descer o rio, cada vez melhores a seguir as instruções complicadas: EM FRENTE, MAIS RÁPIDO e PARA BAIXO. A certa altura saltámos do barco para nadar um bocadinho entre dois rápidos.

Também tivemos que sair todos do barco e andar à volta de um rápido de nível 6, com o nome apropriado de suícidio comercial.

O tempo voou e em pouco tempo estávamos no penúltimo rápido do dia, chamado Oblivion. O Sugar anunciou orgulhosamente que havia uma probabilidade de 99,9% de virarmos o barco. 

Não estávamos à espera desta informação, mas não havia saída. O rio só corre num sentido, portanto continuámos a descer!

Rápido 17 a chegar. Oblivion. Temos que ganhar velocidade para o atravessar em segurança. Há três ondas grandes. A terceira é a maior e o barco vai capotar.

EM FRENTE. Remamos, respiro fundo. Vemos a primeira onda, é grande mas já passámos maiores. Atingimos o rápido. MAIS RÁPIDO. Subimos a primeira onda e descemos para a segunda. PARA BAIXO. Saltar, agachar, segurar a corda. Olho para cima. Aquilo é uma grande onda! Chocamos contra a segunda onda e logo depois vislumbro a terceira. O guia tinha razão. NÃO TEMOS HIPÓÓÓÓÓÓÓÓTESEEEEEEEES foi o meu último pensamento antes de estar debaixo de água. Venho à superfície mas estou de novo debaixo do barco, só que desta vez como o barco está ao contrário consigo respirar. Puxo-me para fora e vejo que todos os outros estão à superfície.

Enquanto somos arrastados suavemente pela corrente, o Sugar sobe para o barco e vira-o para cima, portanto voltamos todos para dentro.

Precisamos todos de um bocadinho de tempo para recuperar. A Margarida está enjoada, eu tenho a adrenalina a correr nas veias e queria continuar a descer o rio!

Já passaram cerca de três horas e após o último rápido, bastante calmo, remamos para a margem. Embora não avisem no início, a pior parte desta experiência é a súbida de regresso. O caminho é estreito, comprido e escarpado. Felizmente, no topo, o almoço espera-nos!

Se estiveres em Victoria Falls e quiseres uma explosão de adrenalina, há muitas escolhas. O rafting é uma muito boa opção.

Visitar Victoria Falls

Deixámos a visita ao parque nacional Victoria Falls para o último dia. Fomos relativamente cedo e entrámos no parque antes das 8. Não havia quase ninguém ali, o que tornava o som imponente das cascatas ainda mais tranquilo.

Esta época o nível da água está baixo mas, ainda assim, as cascatas são imponentes. O parque nacional é bem cuidado e permite aos visitantes observar as cascatas de vários pontos de vista.

De um dos pequeno miradouros conseguimos ver claramente Devil’s Pool e as pessoas mesmo na borda desta impressionante cascata. É incrível pensar que a Margarida tinha estado ali apenas há alguns dias.

Não sei o que mais dizer acerca de água a cair de uma grande altura, além de que é lindo, portanto vou terminar com algumas fotos.

João

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *