Parque Nacional do Chobe

Depois da Zambia, atravessámos a fronteira para o Botswana, um dos países mais ricos da região. A moeda do país, o Pula, mantém-se bastante estável face ao dólar americano. Um facto surpreendente é que os animais são livres de andar por onde bem entenderem. Praticamente não há vedações entre propriedades, e as vacas andam por todo o lado. A população tem orgulho na qualidade da carne do país, que é uma parte importante das exportações do país.

No Botswana, a vida selvagem é também motivo de orgulho. Os animais selvagens também andam em liberdade, mas só estão realmente protegidos nos parques nacionais. Não há tréguas para caçadores furtivos, que podem ser abatidos a tiro assim que são avistados. Uma lei criada recentemente assim o permite.

Como parte da viagem overland, seguimos para o parque nacional Chobe para uma excursão com dormida. Como em safaris anteriores, estávamos muito entusiasmados visto que cada parque é tão diferente!

Pelas 15:00 chegaram os jipes e o nosso grupo de 20 pessoas foi dividido em dois. O nosso guia, chamado Poloko, apresentou-se e perguntou-nos que animais esperávamos ver. A maior parte de nós respondeu “Elefantes”, o ponto mais forte do Chobe. Ouvimos vários números diferentes quanto à quantidade de elefantes no Chobe, desde 40.000 a 210.000. “Rinocerontes” também foi uma das respostas, mas o nosso guia explicou que não há nenhum no Chobe, porque foram todos transportados para o parque nacional do presidente, onde estão permanentemente guardados por militares.

Partimos para o parque, com expectativas de ver muitos elefantes e outros animais. Com alguma sorte também leões e leopardos. O parque não tem vedações, mas há na mesma um portão. Depois de parármos para o nosso guia tratar das formalidades, rapidamente estávamos junto ao rio Chobe, que separa o Botswana da Namíbia.

Como é época seca, o rio é a maior fonte de água e portanto os animais vêm em grandes grupos às margens do rio. A visão pacífica de tantos elefantes junto ao rio é uma das minhas memórias favoritas da viagem.

O Poloko está no parque quase todos os dias, portanto conhece os animais pelo nome próprio. Quase, porque acho que eles não têm nome! Ele sabia que um dos pequenos elefantes tinha nascido há três dias, por ter estado lá no momento. Mencionou que os elefantes fizeram um círculo e soaram as trombas como trompetes.

É impossível para os guias saberem onde andam os animais, portanto tentam sempre manter as expectativas baixas. O parque nacional Chobe cobre uma área de 11.000 km2, mas mesmo assim o nosso guia tinha uma surpresa guardada.

Passámos bastante tempo a admirar os elefantes nas margens do rio, e a ouvir o Poloko falar sobre o parque e os animais. Como tínhamos bastante distância a percorrer até ao acampamento, o Poloko perguntou se podíamos ir mais depressa, e todos concordámos.

Acelerou pelas estradas de terra batida parque a dentro, esperando surpreender-nos, e mais do que conseguiu! Mesmo ao lado da estrada cruzámo-nos com 3 leopardos! Ver três juntos é muito raro, porque são animais muito solitários. Só estavam três juntos por ser a mãe com duas crias, já quase adultas. O nosso guia estimou a sua idade em 7 meses, portanto teriam cerca de mais 5 meses até deixarem a mãe. Ele sabia que era muito provável encontrármos estes leopardos porque há dois dias tinham morto uma Impala e mudado a carcaça para uma árvore. Levam alguns dias a alimentar-se, portanto não se afastam muito do cadáver. Muitas vezes os leopardos levam as presas mortas para cima de árvores para evitar que leões ou hienas lhes roubem a comida.

Ver os leopardos andar à nossa volta e até a subir à árvore para se alimentarem foi sem dúvida um privilégio.

Eventualmente tivémos que partir, e continuámos pelo caminho. Passámos por um local para merendas cheio de babuínos. Não é surprendente que andem por ali, porque alguns turistas os alimentam (embora seja proíbido), e se alguém baixar a guarda também roubam comida (tal como acoteceu à Margarida na Zambia!). Tem imensa piada ver os comportamentos deles!

Com o sol já muito em baixo, o tempo era escasso e portanto continuámos. Mas a natureza não quer saber dos nossos planos, portanto pouco depois demos com um grupo de leões a descansar entre uns arbustos. No entanto, desta vez não foi apenas “mais um grupo de leões”. Pouco depois de parármos, uma manada de elefantes aproximou-se de nós e dos leões. Estávamos na estrada entre os dois grupos, e foi incrível ver os elefantes. À medida que se aproximavam, começaram a formar um círculo à volta dos elefantes bebés, enquanto levantavam as suas trombas sentindo o cheiro dos leões. A dada altura, dois jovens elefantes quiseram ver melhor os leões, aproximara-se, mas ao sentir que estavam demasiado perto, deram meia volta e regressaram à manada.

Por esta altura o sol já estava baixo mas ainda havia alguma luz. O guia não nos queria apressar, mas tínhamos que ir para o nosso acampamento.

Não foi a nossa primeira noite a acampar no meio de animais selvagens sem uma vedação (no Serengueti já o tínhamos feito). Contudo, da última vez tinha sido num acampamento grande com edifícios para a cozinha e casas de banho.

Desta vez foi mesmo campismo selvagem.

Quando chegámos, as tendas já estavam montadas, formando um círculo à volta de uma grande fogueira. Os dois 4×4 onde tínhamos andado durante o dia fecharam o círculo. Do lado de fora tinham preparado duas latrinas, e uma pequena luz ao lado de cada uma. Era tudo.

O jantar já estava pronto pois o cozinheiro tinha ido antes, pelo que nos sentámos à volta da fogueira. As instruções era claras: não vaguear à volta do campo; não deixar a tenda para ir ver a origem de eventuais barulhos; usar sempre um foco para olhar à volta; se necessário ir à casa de banho, pedir a alguém para ser acompanhado.

A via láctea estava bem visível no céu, e foi uma noite mágica estar sentado à volta da fogueira antes de ir dormir no meio do nada. Dormi muito bem, e a certa altura ouvi uma hiena. Algumas pessoas ouviram leões à distância.

No dia seguinte fizemos o caminho inverso pelas mesmas estradas.

O parque nacional Chobe é um sítio verdadeiramente mágico, e recomendamos a todos uma visita. É de fácil acesso e perto de Victoria Falls, que foi o nosso próximo destino.

De facto, depois de ficarmos três noites em Victoria Falls, voltámos ao Chobe e a repetir a aventura, porque a nossa viagem overland de Nairobi à Cidade do Cabo está dividida pelo operador em viagens mais curtas. Por essa razão, em Victoria Falls tivemos que nos despedir de amigos que fizemos durante a viagem e dar as boas vindas a outros. A primeira paragem do novo segmento foi de novo o parque nacional Chobe!

Foi com muito gosto que repetimos a experiência, mas da segunda vez não vimos leopardos e vimos muito menos leões. O meu momento favorito foi atravessar uma manada de bem mais de mil buffalos (eu tentei contar).

Até à próxima Chobe!

João

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