Parque Nacional de South Luangwa

Quinze dias depois do começo da nossa viagem overland entrámos na Zâmbia. Um país que tem atravessado várias crises políticas desde a sua independência, em 1963. É o segundo maior produtor mundial de cobre e, sobretudo, um país muito rico em biodiversidade.

A nossa primeira paragem foi num parque de campismo junto ao rio Luangwa. Chegámos já de noite, mas conseguimos ver, com ajuda de um foco bastante potente, os olhos brilhantes vermelhos e brancos de crocodilos e hipopótamos, que reluziam como pequenas estrelas sobre a água do rio. O dia seguinte prometia um safari excelente, naquele que é um dos melhores parques de África: o South Luangwa.

A expectativa não desiludiu. Logo de madrugada conseguimos ver muitos hipopótamos na borda do rio, enquanto tomávamos tranquilamente o nosso pequeno-almoço. Tranquilamente até um macaco passar de rompante por cima do meu prato e roubar as duas torradas que eu me preparava para comer.

Tal como nos disse o Patrick, guia do primeiro safari das nossas vidas, no Maasai Mara, cada parque tem as suas belezas específicas. E é bem verdadade!

O parque South Luangwa tem uma paisagem diferente de todos os outros que visitámos até agora. Nesta altura do ano está muito seco. A terra abre fendas, a erva está dourada, o nível de água do rio está muito baixo, como se consegue perceber ao olhar para as margens.

Este parque é moldado pelo rio Luangwa. É raro nesta parte de África que um rio tão largo ainda esteja tão intocado, e sem barragens; este rio é uma das fontes mais naturais de água na região.

O parque tem a maior concentração de hipopótamos e crocodilos do Mundo inteiro! Com uma área de 9.050Km2, apenas pudémos obervar uma pequenina parte deste parque único, no safari que fizemos de manhã.

Girafas Thornicroft’s e gnus Cookson’s são endémicas do vale do Luangwa.

Vimos também outros animais que ainda não tínhamos visto até aí, como o waterbuck e o puku.

O parque nacional South Luangwa é também conhecido pela sua grande população de leopardos. O nosso guia disse que praticamente via um todos os dias! Percebe-se bem porquê, ao ser um parque com muitas árvores e arbustos. Os leopardos são caçadores solitários e pouco velozes. Caçam maioritariamente por emboscada, tendo que se apróximar da presa poucos metros antes de atacar. Não se dão tão bem nas planícies do Serengueti! No entanto, o nosso Safari era de poucas horas pela manhã, e não tivemos a sorte de ver algum. Foi o primeiro parque que visitámos sem ver leopardos, chitas ou leões.

Vimos também animais já nossos conhecidos. Zebras, gazelas, impalas, elefantes, búfalos, apesar de já nos termos como que habituado à sua presença em todos os safaris que fazemos, são sempre extraordinários.

Em termos de aves há também uma grande diversidade. Mais de 450 espécies de aves foram registadas no vale do Luangwa. O carmine bee-eater existe neste parque em grande número durante os meses de Setembro e Outubro. É um pássaro que come insetos em pleno vôo. A sua cor avermelhada é simplesmente fenomenal. Acho que é o pássaro mais bonito que alguma vez vi!

Vimos também uma African Fish Eagle, o animal nacional da Zambia.

Conhecemos ainda o hornbill, que inspirou a personagem Zazu, do filme “O rei leão”.

Um Safari é feito de um género de pára-arranca, conforme o guia decide parar ou por pedido dos passageiros. À medida que vamos fazendo mais Safaris, vamos pedindo para parar menos frequentemente, e tiramos menos fotografias. Passamos mais tempo a olhar para os animais e a tentar perceber os seus comportamentos. Apreciamos mais cada momento.

Por muito barulho que façam os 4×4, acabamos sempre absortos nos nossos pensamentos. Principalmente na sorte que temos em viajar até sítios tão incríveis e poder admirar animais tão belos no seu habitat natural.

Margarida

2 comments

    1. Foi um parque muito bom, mas não foi o melhor!

      Quando parámos ao pé de água foi sempre em zonas elevadas onde os crocodilos não chegam. Eles fora de água afastam-se dos humanos, mas dentro de água são extremamente perigosos…

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