Zanzibar, a ilha das especiarias

Depois de dois dias de viagem no camião, chegámos a um parque de campismo perto de Dar Es Salaam, em frente ao oceano Índico.

Não tivemos oportunidade de visitar a cidade, mas atravessá-la foi bastante caótico pois havia muito trânsito.

No parque de campismo tivemos uma primeira impressão do quão bom é acampar mesmo em frente à praia. Tomámos um banho na água quente e calma, e preparámo-nos para o próximo dia.

De manhã deixámos o parque mais tarde que o habitual, às 10:30, visto que o nosso ferry para Zanzibar era apenas às 12:30. O alojamento era numa península, portanto fizemos uma curta viagem de ferry até Dar Es Salaam. Apesar de ser uma viagem rápida (menos de 10 minutos) poupou-nos muito tempo, e permitiu-ns ver como é que os locais vão para a cidade, por menos de $0.10 USD.

Felizmente a travessia para Zanzibar correu melhor que o esperado, visto que alguns membros do grupo estavam com medo de ficarem enjoados. Os ferries são muito modernos e estáveis, demorando cerca de duas horas a atravessar. A viagem custa $30 USD em cada sentido, e estava incluído na nossa viagem (há ferries mais lentos e baratos, e também é possível voar para Zanzibar).

Como chegámos bem depois da hora a que costumamos almoçar, toda a gente estava com fome. Depois de um check-in rápido no hotel Safari Lodge, começámos a nossa primeira actividade, a tour das especiarias. Felizmente a primeira parte da atividade era o almoço!

Zanzibar é conhecida pelas suas plantações de especiarias, muitas das quais foram introduzidas ao longo da sua história como importante porto mercante. Em Stone Town, a principal cidade de Zanzibar e nossa estadia na primeira noite, tanto influencias árabes como indianas são evidentes na arquitectura, cultura e comida. Ao almoço, tivémos oportunidade de provar vários pratos locais em pequenas quantidades, numa espécie de “buffet de degustação”. No geral a comida era boa, mas houve pratos dos quais não gostámos. Às vezes custa-me apreciar pratos com muitas especiarias, porque na cozinha Portuguesa tentamos amplificar o sabor natural dos ingredientes.

Depois do almoço fomos visitar as plantações de especiarias, o que foi tão informativo como divertido, graças ao nosso guia, Ali. O Ali falava muito bem inglês, e imitava muito bem o sotaque britânico em certas frases chave, causando grandes gargalhadas. Mostrou-nos diferentes plantas e árvores, esclarecendo-nos sobre a proveniência de diferentes produtos. Por exemplo, nunca tinha ponderado de onde vem a canela, mas é uma casca de árvore! Cheirámos e mastigámos, e continuámos a visita vendo nós moscada, lúcia-lima, gengibre e muitas outras especiarias.

De volta a Stone Town, tivémos direito a uma curta visita guiada pela cidade. É bastante pituresca, mas não tanto quanto o guia da nossa viagem nos tinha feito crer. Mesmo no centro há muitas ruas sujas, estreitas e degradadas. No final da visita já se tinha posto o sol, e o mercado noturno estava animado. Numa praça em frente ao oceano, a população local monta pequenas bancas cheias de comida de rua. Jantámos todos lá, cada um de nós vagueando pelas bancas e comendo o que lhe apetecia. Depois de negociar os preços em várias bancas, eu e a Margarida comemos uma espetada de galinha e uma de peixe, acompanhadas de um pão de alho, tudo por menos de $3 USD (pagámos em shillings da Tanzania).

Na manhã seguinte, parte do nosso grupo foi nadar com golfinhos selvagens em mar aberto, enquanto nós optámos por uma visita a prison island. Inicialmente pensada para ser uma prisão, esta pequena ilha perto de Zanzibar acabou por servir como zona de quarentena para pessoas afetadas com febre amarela. Hoje em dia é um hotel e um santuário para tartarugas terrestres gigantes, a razão para a nossa visita! A ida e volta para a ilha foi $10 USD por pessoa, e a entrada no santuário são $4 USD.

Também tivemos oportunidade de alimentar estes animais fantásticos! A tartaruga mais velha ali tinha 194 anos!

Depois de um mergulho junto à ilha, voltámos para Stone Town, fizemos check-out do hotel e apanhámos um transfer para Kendwa, no norte da ilha, o que levou cerca de 2 horas.

Nas duas noites seguintes tivemos um vislumbre do paraíso. A areia da praia foi a mais branca e fina que já vi. A água não estava quente demais, mas era fácil de entrar nela e mesmo assim refrescante. Há corais perto da costa e tivemos a oportunidade de fazer snorkeling, atividade que estava incluída na nossa viagem. Vimos muitas espécies de peixes coloridos.

De Kendwa, o que vimos foi principalmente os resorts na praia, um a seguir ao outro. Contrariamente a outros lugares, estes resorts não são compostos por grandes hotéis mas por tradicionais edifícios baixos, o que nos fez esquecer que estamos num destino turístico. A população local também partilha a praia com os turistas, como deve ser!

Como as refeições não estavam incluídas também comemos fora. Num dos jantares comemos ótimo peixe grelhado (cerca de $10 para os dois). Para um dos almoços tentámos procurar um restaurante local, e conseguimos, mas infelizmente não tinham peixe. Comemos meia galinha, batatas fritas e arroz por cerca de $4 USD (os dois!).

No último dia fizemos um cruzeiro na altura do pôr-do-sol num barco à vela tradicional, enquanto um grupo de percussionistas nos aquecia os ouvidos. Felizmente este cruzeiro estava incluído na nossa viagem overland, porque não acho que o teríamos escolhido como opção, mas foi uma excelente maneira de acabar a nossa estadia em Zanzibar!

O dia seguinte foi passado a viajar de volta para Stone Town, apanhar o ferry para Dar Es Salaam, o segundo ferry para a península e a viagem final para o parque de campismo.

Todas estas horas passadas em ferries e no camião da nossa viagem overland têm uma vantagem inesperada: temos muito tempo para apreciar a paisagem e gravar as memórias de todos os momentos fantásticos que acabámos de viver.

João

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