Ngorongoro e Serengueti

Depois do Maasai Mara, o entusiasmo para os próximos safaris era muito. Dois dias após deixarmos Nairobi (Quénia) já no camião da overland com mais 20 pessoas, entrámos de madrugada na área de conservação do Ngorongoro, na Tanzânia.

A neblina era densa, mas conseguíamos perceber que estávamos numa zona muito mais verde do que até aí. Parecia que tínhamos chegado à selva.

Ngorongoro é a maior caldeira intacta (cone colapsado de um vulcão) não inundada no Mundo. É conhecida como a Oitava Maravilha do Mundo. Muitos cientistas sugerem que, antes da sua erupção, o vulcão que deu origem a esta caldeira era maior do que o Kilimanjaro (maior montanha africana). Ngorongoro contém possivelmente a maior concentração permanente de vida selvagem em África, devido à presença de água durante todo o ano. Ao contrário dos animais que vivem no Serengueti, s animais selvagens residentes aqui não precisam migrar.

A cratera tem cerca de 19km de largura e a sua borda eleva-se a 365 até 490m, da sua base com 265km2.

Ngorongoro é uma área de conservação e não uma reserva natural devido aos seus múltiplos usos, pois o Governo permite que o povo Maasai viva nesta área. Aqui têm as suas aldeias, escolas e é onde pastam o seu gado. É um povo habituado a viver lado a lado com animais selavagens, e não há dúvida de que ver vacas, cabras ou ovelhas a pastar ao lado de zebras e gnus é, no mínimo, peculiar!

Ao contrário da paisagem verdejante durante a subida até ao topo da cratera, nesta altura do ano, a sua base está bastante seca, e os únicos pontos verdes localizam-se onde ainda há agua.

Uma longa manhã no Ngorongoro permitiu-nos captar imagens extraordinárias com a câmara fotográfica, mas sobretudo com as lentes dos nossos próprios olhos.

Almoçámos numa das zonas de piqueniques. Passado pouco tempo, black kites começaram a tentar roubar-nos o almoço. Eu senti-me no filme “The Birds” do Hitchcock. Fiquei logo a tremer depois de mandar uns gritos histéricos após duas destas grandes aves de rapina terem passado mesmo à minha frente.

À tarde seguimos para o Serengueti, o parque mais conhecido da Tanzânia, que tem a maior concentração de animais selvagens migratórios do Mundo. Também é famoso pela grande população de leões e frequente observação de chitas, como pudemos confirmar.

A palavra Serengueti vem da língua Maasai e quer dizer planícies infindáveis, e, de facto é isso mesmo!

Este parque faz parte da lista de património mundial da UNESCO, e inclui a maior parte do chamado “ecossistema do Serengueti”, que é a rota de migração primária dos gnus. O ecossistema do Serengueti também inclui a Reserva Nacional do Maasai Mara, a norte; a Área Controlada Loliondo, a nordeste; a Área de Conservação do Ngorongoro, a sudeste; a Reserva Maswa, a sudoeste; e a Reserva Grumeti a noroeste.

Tal como falado no post sobre o Maasai Mara, a altura da grande migração é difícil de prever, e infelizmente não a pudemos obsrevar. É um dos fenómenos da vida selvagem no planeta Terra mais impressionantes. Até 1.3 milhões de gnus, 400.000 zebras e 300.000 gazelas Thomson percorrem um circuito com cerca de 1.000km, seguinto o gradiente das chuvas. A migração move-se do Quénia e do norte do Serengueti de volta às planícies do sul do Serengueti e Ngorongoro.

Ao ver as planícies do Serengueti tão secas, percebemos porque é que tantos animais são forçados a percorrer esse círculo. Por outro lado, fico a pensar como é que os animais residentes conseguirão sobreviver, com tantos e tantos quilómetros seguidos sem água, sem presas, erva muito seca e poucas árvores.

O solo no Serengueti não é propenso ao crescimento de árvores devido à existência de uma grande camada de detritos vulcânicos que foram depositados aquando da última erupção do vulcão que deu origem à cratera do Ngorongoro. No entanto, esse solo é muito propício ao crescimento de ervas.

Apesar desta paisagem seca a perder de vista, avistámos muitos animais selvagens, incluindo leões e chitas, a caminho do nosso parque de campismo selvagem (sem vedações), no meio do Serengueti.

Foi uma noite interrompida pelo barulho estridente das hienas. Um barulho que eu nunca tinha ouvido antes e que me deixou inquieta, apesar de termos sido avisados que provavelmente teríamos a sua companhia durante a noite.

Mais um longo dia se levantava. Mais uma aventura na savana africana para nos deixar sem palavras.

Cada dia na savana é um jogo, uma procura pelos animais selvagens. Todos me deixam fascinada!

Já no caminho de saída do Serengueti apareceu-nos a cereja no topo do bolo: uma chita com duas crias! Que imagem linda.

O senão dos safaris é, na minha opinião, o facto de os condutores dos veículos 4×4, com as suas boas intenções de darem aos turistas a melhor experiência possível, quebrarem as regras do jogo. Saem fora da estrada, o que não é permitido, para se aproximarem mais dos animais. E se fosse só um veículo a fazer isso… O problema é que quando é avistado um dos “big five” (leão, elefante, búfalo, rhino e leopardo), todos querem ter o melhor spot, acabando por colocar as viaturas muito próximas dos animais (a uns escassos centímetros), e todas elas muito próximas entre si.

Uma das situações que me deixou mais angustiada relativamente a isso foi um grupo de veículos (para aí uns 10) que, incluindo o nosso, rodearam um grupo de leões que estavam a descansar. Outra situação que ainda me deixou pior foi o nosso inexperiente condutor/ guia ter atirado uma pedra a um leão que estava a dormir para ele se mexer!

Se é bom que haja preservação da vida selvagem através dos parques nacionais, é bom que as regras sejam respeitadas, e que se interfira o mínimo possível com os animais. Afinal, nós é que somos o elemento externo.

Apesar de não termos visto nenhum rinoceronte nem nenhum leopardo, ver a vida no seu estado mais selvagem é inesquecível! Como é que a nossa viagem pode ficar melhor do que isto é o que continuo a quetionar-me!

 

Margarida

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