Hakuna Matata

Fazer um safari em África, para além de ser uma aventura única e inesquecível, é também relembrar a infância, e rever o filme “O Rei Leão” ao vivo.

Não há música que se adeque mais a quem está a fazer um safari do que “The lion sleeps tonight” (“O leão está a dormir”). Quando começam a soar os primeiros acordes, toda a gente se prepara para a cantar!

Fazer um safari é perceber que Simba, aquele leãozinho simpático que nos fez chorar em criança, quer dizer leão em swahili, e que Rafiki quer dizer amigo. Aprender que Hakuna Matata,”que é tão fácil dizer”, quer mesmo dizer “sem problemas”.

Aqui em África é mesmo esse o lema. Trazemos para aqui mil e um problemas das nossas vidas ocidentais, e percebemos que afinal “hakuna matata”. Aqui o ritmo é outro. O ritmo de África é mesmo o de viver o momento, olhar para a paisagem, e deixar-se maravilhar por esta Natureza.

Fazer um safari é avistar um grupo de javalis e o nosso guia dizer: “Estão ali pumbas!” e todos olham deliciados para aqueles caricatos animais, e o que me vem à cabeça é o Pumba a comer insectos agarrados à parte de baixo de uma pedra. E depois, perceber que o guia nunca viu o filme “O Rei Leão”, mas que já conhece o nome das personagens só por ouvir os turistas falarem nelas durante os safaris.

Ver todos os animais na savana, selvagens, faz-nos perceber que realmente a Natureza é perfeita. Há tudo para todos, desde os mais pequenos herbívoros até aos maiores carnívoros. E isso faz-nos compreender ainda melhor porque é que precisamos de tomar bem conta do nosso Planeta. Aqui, tive a oportunidade de contactar com tribos, que ainda vivem praticamente como viviam antes de os Europeus cá chegarem, para lhes virarem o Mundo ao contrário! E, apesar de as condições de vida destas pessoas serem muito piores do que as nossas, se compararmos com os standards dos países desenvolvidos, são pessoas felizes, acolhedoras e que sorriem e acenam aos desconhecidos.

E isto tudo, faz-me pensar no que é realmente importante. Faz-me pensar que as prioridades andam viradas de pernas para o ar na Europa e por aí fora. Andamos todos que nem carneirinhos a correr de um lado para o outro sem conseguir parar por um momento, apenas pensando nos problemas que aí vêm. Andamos a viver muito acima das possibilidades do nosso Planeta, e sabemos que isso o está a tornar doente. Continuamos a caminhar cegos por um caminho tantas vezes vazio, fazendo trabalhos que não nos apaixonam, e esquecendo-nos de aproveitar o momento.

É preciso saber dizer “Hakuna Matata”!

É preciso olhar mais para o que se passa à nossa volta e menos para nós próprios.

É preciso procurar, dentro de nós mesmos, o que queremos fazer. O que queremos deixar no Mundo.

É preciso parar de olhar para os relógios e para as contas bancárias.

Por isso é que gosto tanto de viajar. Porque fico maravilhada com o que tenho à minha votla e porque vejo outras culturas. Porque tudo isso me faz parar no tempo. Faz-me questionar. Faz-me pensar.

Por isso, tu, que estás a ler este texto, pára um bocadinho e pensa na sorte que tens. “Hakuna Matata!”.

Margarida

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