Safari no Maasai Mara

Não existem palavras para descrever tudo o que sentimos no nosso primeiro safari no Maasai Mara. É verdadeiramente uma experiência única, e recomendo a todos os que tenham essa oportunidade.

Quando viemos ainda não tínhamos a certeza se iríamos fazer um safari no Maasai Mara, a reserva mais famosa do Quénia. Como a nossa viagem overland já inclui alguns safaris, deixámos a decisão para o último minuto. Como tínhamos alguns dias extra em Nairobi acabámos por ir. E foi a melhor decisão que podíamos ter tomado!

Na quarta-feira de manhã deixámos Nairobi por volta das 8:30, com destino a Narok, já com o nosso condutor/ guia, Patrick, e 6 outros turistas. O grupo era muito fixe e rapidamente começámos à conversa. A nossa carrinha parecia muito velha e ficámos muito surpresos quando percebemos que iria ser o nosso veículo para o safari, mas provou-se mais do que capaz!

À saída de Nairobi fomos parados pela polícia, que nos disse que o nosso condutor era mau, devido a uma ultrapassagem com excesso de confiança que ele estava a fazer… Esta informação deixou-nos inquietos mas o nosso condutor foi até bastante cauteloso.

A nossa primeira paragem foi no grande vale do rift, onde tivemos o primeiro vislumbre da paisagem queniana. Foi uma vista muito acolhedora, especialmente após alguns dias na poluida capital, Nairobi.

A próxima paragem foi inesperada, numa pequena “garagem” à beira da estrada, porque pelos vistos a nossa carrinha tinha um problema nos travões, confirmado pela condução cautelosa do Patrick.

Rapidamente estavamos de volta na estrada, com os travões ainda meio avariados, a atravessar o vale até Narok, onde parámos para almoçar. O almoço estava bom e tinha bastante variedade, até para a nossa colega de viagem que é Vegan. O Patrick aproveitou para arranjar os travões de uma vez po todas.

A seguir ao almoço continuámos a caminho e chegámos ao acampamento pouco depois das 16h. O jantar era às 19:30 mas ainda tinhamos um pequeno safari planeado. Toda a gente deixou as mochilas nas enormes tendas (com chuveiro e sanita lá dentro!) e fomos entrar no parque pelas 17h.

Para toda a gente do nosso grupo era o primeiro Safari e nenhum de nós estava preparado para a experiencia!

Ao entrar no parque recebemos imediatamente as boas vindas por grupos de zebras, gns e gazelas, muitas vezes misurados. Os prados verdejantes cheios destes três tipos de animais rápidamente tornou-se uma vista rotineira, mas sempre espetacular.

Menos de 15 minutos desde que começámos o safari, avistámos um grupo de elefantes escondidos nos arbustos à nossa direita. Não conseguimos vê-los muito bem, mas estávamos todos entusiasmados pelo primeiro vislumbre de elefantes. Continuámos a nossa viagem, enquanto o Patrick navegava as estradas de terra batida, procurava animais e respondia às nossas perguntas.

Dentro do Maasai Mara, os guias usam um rádio instalado na carrinha para comunicar entre eles. O ruído constante do rádio era bem-vindo, porque os guias comunicam entre eles quando encontram animais pouco comuns. Deste modo os outros veículos próximos também podem ir ver.

Foi assim que vimos o nosso primeiro leão. Já a uma certa distância sabíamos que havia algo de especial, porque estavam 5 carrinhas paradas no mesmo sítio. O Patrick levou-nos até lá e parou no meio das outras carrinhas.

Saltámos todos dos lugares para vermos o leão pelo tejadilho aberto da carrinha.

Era uma leoa, a comer um antílope, um topi. Havia outra leoa perto, deitada na relva. Perguntámos ao nosso guia há quanto tempo estaria morta aquela presa, e ele julgou que teria sido caçada no dia anterior.

Estávamos muito próximo, mas não havia mais barulho para além das câmaras fotográficas, ou de silenciosas interjeições de espanto.

Após admirarmos a leoa por alum tempo, continuámos o nosso caminho e vimos a maior parte das espécies mais comuns existentes no Maasai Mara. Girafas, búfalos e algumas espécies de antílopes, tal como o mencionado previamente topi, mas também elands.

Era tempo de partir visto que o parque fecha às 18h30, e um lindo pôr-do-sol estava a deixar-nos mais uma imagem inesquecível para trás.

Jantámos no acampamento, e fomos dormir por volta das 22h, visto que iamos passar o dia seguinte inteiro no parque, entrando pelas 7h. “Fomos dormir” não é bem verdade, porque não conseguíamos adormecer a pensar em tudo o que tinhamos visto. A Margarida tinha um colchão desconfortável, e eu acordei com cães a ladrar às 3h. Foi uma noite sem sono!

Com uma amostra tão espetacular em apenas hora e meia, as espectativas eram muito elevadas para o dia inteiro no parque, e foram ultrapassadas!

Na quarta-feira fomos muito longe dentro do parque, que é enorme. A certa altura perguntei quão extenso era o parque na direção em que íamos, e o Patrick respondeu 120km!

A manhã inteira foi passada a caminho do rio Mara, conhecido pelos seus crocodilos e hipopotamos. Vimos grandes grupos dos animais mais comuns no parque: gazelas, buffalos, zebras, topis, gnus, bem como javalis, abutres, hienas pela manhã, chacais e alguns tipos de pássaros coloridos. Os pontos altos do dia foram pararmos para ver leões muito próximos da carrinha, bem como uma cheeta à distância e um leopardo a alimentar-se de uma caçada recente.

 

Almoçámos junto ao rio, onde vimos os crocolidos e hipopótamos residentes. É uma sensação estranha sair da carrinha sem vedações a separar-nos dos animais, mas o nosso guia verificou se não havia animais perto e inspirou-nos segurança. De manhã já tinhamos saído da carrinha para ir à casa de banho nos arbustos :).

Depois do almoço começámos a voltar, e o ponto alto da tarde foi encontrar um grupo de elefantes na estrada, portanto estavamos extremamente próximos deles. Ficar ali a vê-los comer, sem mais sons porque o Patrick pediu-nos para estar calado, foi de cortar a respiração. Nestes casos ele desligava o motor e o rádio.

Por esta altura, ver girafas era comum, e só parávamos quando os animais estavam perto, ou quando pediamos ao Patrick para parar. Encontrar pequenas crias era uma razão comum para parar, bem como para fotografias bonitas da paisagem. Vimos mais alguns leões, e parávamos sempre que havia um perto.

Saímos do parque pelas 17h, e a Margarida foi visitar uma aldeia Maasai com mais alguns colegas de viagem, para aprender os costumes da população nativa desta região. Eu fiquei no campo com uma dor de cabeça das estradas irregulares. Fomos dormir pouco depois do jantar, visto que no dia seguinte teríamos que acordar cedo de novo com o pequeno almoço às 5:45.

Nessa noite ambos dormimos muito melhor por estarmos tão exaustos!

Quinta-feira entrámos de novo no parque pouco antes das 7h, mesmo a tempo de um bonito nascer do sol. Ia ser um safari curto porque tínhamos que voltar para Nairobi. Não vimos nenhum felino, mas tivemos a sorte de passar algum tempo com os elefantes Africanos, e dizer adeus a muitas outras espécies presentes no parque.

O caminho de volta para Nairobi deu-nos tempo para recordar tudo o que acabámos de viver. Foi verdadeiramente inesquecivel, e uma experiência que recomedamos a toda a gente. Nos dias seguintes teremos a oportunidade de fazer safaris nos parques vizinhos, Serengeti e Ngorongoro, mas independentemente do que virmos lá, não nos vamos esquecer do nosso primeiro safari no Maasai Mara.

Joäo

4 comments

  1. Olá Margarida e Migui,

    Obrigada a ambos, pela informação tão detalhada e bela da vossa visita ao parque no Maasai Mara.
    Já estive num parque idêntico na África do Sul, ( quando vivemos em Maputo). São recordações que ficam para a vida!

    Beijinho
    Jú e Nuno

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