Primeira paragem: Nairobi

Chegar a África é chegar a outro continente, mas mais do que isso. Chegar a África é por si só, uma aventura. Chegámos hoje às 4h da manhã ao aeroporto internacional Jomo Kenyatta e às 8h ao hotel, após uma viagem de Uber que não estava nos nossos planos, pois supostamente teríamos transfer, só que ninguém apareceu com os nossos nomes numa folha de papel. Mas foi uma boa experiência!

Conseguimos fazer check-in logo a seguir e ainda dormimos um bocadinho, antes de nos metermos a percorrer as ruas de Nairobi.

Atravessar ruas em Nairobi é também uma aventura. Felizmente na primeira abordagem à cidade tivemos a ajuda de um guia. O trânsito é terrível, bem como a poluição do ar. Automóveis antigos, autocarros (os típicos “matatus”) que cospem nuvens de fumo, ausência de marcações nas estradas, e um número enorme de pessoas a pé e de carro, tornam as coisas desafiantes para os peões, mas julgo que ainda teria mais dificuldade se fosse eu ao volante! Os acidentes parece que estão sempre prestes a acontecer, mas por algum género de milagre coletivo, tudo continua serenamente, como se nada fosse!

Nesta cidade, encontrar passadeiras é uma tarefa praticamente impossível portanto, como diz o ditado, “em Roma, sê romano”. Temos que ver e aprender. E essa aprendizagem consiste em aproveitar os momentos em que os carros estão temporariamente parados no engarrafamento e ir contornando. Mas há que estar ainda mais atento às motas, que essas vão passando por entre os carros!

No meio de toda esta confusão, há sempre montes de gente a andar à nossa volta, e não se vê um único branco nessa multidão, o que é um fenómeno interessante, e que mostra que realmente não há muito turismo por estes lados… Penso que nos safaris já não será assim!

A primeira paragem foi o Kenyatta International Convention Centre (KICC), pois tínhamos perguntado ao guia onde poderíamos ver a cidade de um ponto alto, e ele levou-nos lá. Não estávamos a contar com a entrada paga de 500KES (aproximadamente 5€) por pessoa, mas foram bem empregues. Os residentes não pagam nada, o que me parece mais do que justo.

Este centro de conferências é considerado um dos melhores de todo o continente africano, apesar de já ter sido construído em 1973. Do topo conseguimos ver o Monte Quénia, que é a montanha mais alta do país, conseguimos ver a cidade “nova”, onde estão a aparecer novos arranha-céus, a cidade “velha”, onde se encontra o edifício, diferentes parques, hotéis, o aeroporto, o Parque Nacional de Nairobi bem como a floresta Karuru, que é a maior área verde da cidade. O bairro de lata de Kibera, a 5km do centro da cidade é o maior de África, mas não é visível do topo dos 29 andares do KICC por se localizar por trás dos arranha céus da zona nova da cidade.

No resto da tarde visitámos o parque da cidade, a catedral católica, e passámos ao lado de outros locais públicos importantes, como o tribunal e o parlamento.

No meio disso tudo fomos abordados várias vezes por locais a tentarem fazer negócio. Um deles levou-nos até um “mercado massai” – uma lojinha com produtos de artesanato. Perguntaram-nos de onde vínhamos e, quando respondemos “Portugal”, soou imediatamente um “Vasco da Gama” muito entusiasmado.

As pessoas gostam de mostrar que conhecem, de algum modo, o país do estrangeiro com o qual estão a falar. Até agora a resposta que ouvia sempre era “Cristiano Ronaldo”, portanto ficámos muito impressionados por perceber que os quenianos conhecem o Vasco da Gama. Afinal, ele também andou por aqui, e até deixou o primeiro monumento europeu no continente africano: o pilar de Malindi, aqui no Quénia (também tinha feito um em Mombaça mas foi destruído).

É de notar que para uma cidade africana, Nairobi está bastante limpa, o que se nota logo desde o aeroporto. Tem sido feito um grande esforço por parte do governo para que assim seja, nomeadamente ao tomar a decisão de banir o uso de sacos plásticos, e de punir radicalmente, até 3 anos de prisão, quem os use. E parece que está a surtir o efeito desejado. Claro que não é uma cidade europeia em termos de limpeza, mas fiquei positivamente impressionada. Até encontrámos contentores pequenos na claçada com separação dos resíduos. Pela cidade estão também espalhadas mensagens de certo modo educativas, quer em viadutos, p.e. “pay attention to street signs”, “do not overload your vehicle”, quer em bancos de jardim, como “I refuse to just sit here, I will make a change”, e nos próprios contentores do lixo: “take care of the environment”.

Outra coisa que nos deixou boquiabertos foi a presença de aves que nos parecem abutres (mas não sabemos o que são), em árvores espalhadas por toda a cidade. Mas são aves muito grandes! Pássaros muito coloridos também conseguimos observar mal saímos do aeroporto. Apesar dos 3 milhões de habitantes desta cidade de perder de vista, ainda têm muita biodiversidade.

A próxima paragem será o Masai Mara, o nosso primeiro safari!

Margarida

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