Escapadinha nos Alpes Suíços

Daqui a muito pouco tempo vamos embalar a trouxa, (tentar) empacotar tudo no meu pequeno carro e rumar a Portugal. Já não restam muitos dias para aproveitar os ares suíços, mas no fim-de-semana passado conseguimos dar uma escapadinha aos Alpes Suíços, mais precisamente a Kandersteg. E que bom que foi!

Saímos no sábado, já ao final da manhã, depois de fazer a mala com todo o material de campismo prestes a estrear, e depois de comprar alguns mantimentos.

Destino: KISC – Kandersteg International Scout Centre. Após algum trânsito, o vislumbre dos Alpes começou a dar-nos mais alento. As montanhas iam-se tornando mais imponentes, e uma paisagem cada vez mais espetacular ia-se desvendando diante dos nossos olhos.

Chegados aos KISC, percebemos logo que tínhamos feito a escolha certa. Este centro funciona apenas com voluntários escutistas, de todo o Mundo. Jovens, dinâmicos e simpáticos, fazem-me pensar na minha convicção de que as pessoas trabalham muito melhor quando a recompensa não é monetária, mas sim humana. Deram-nos as explicações necessárias, sugeriram trilhos que poderíamos fazer (há uma parede inteira dedicada a isso, com folhetos para cada um dos percursos da região). De seguida fomos conduzidos por um outro voluntário à zona do campismo, onde iríamos pernoitar. 

Visitámos o centro de tratamento do lixo, e deram-nos um cesto para colocar a reciclagem, um saco para o lixo indiferenciado e um baldinho para a matéria orgânica. Despois de mais algumas explicações, nomeadamente quanto à regra do silêncio a partir das 22h30, exceto para a festa que iria decorrer nessa noite (que se veio a revelar uma verdadeira surpresa, como irei descrever mais à frente).

Nisto tudo, já eram quase 16h, e nós ainda queríamos ir até ao lago de Oeschinen a pé (há a opção teleférico, mas nós tínhamos ido era para caminhar). Do centro escutista até Kandersteg é cerca de meia hora, e depois mais uma hora e meia a subir até ao lago. A descer é mais fácil: cerca de uma hora até Kandersteg. O nosso objetivo era reduzir todos estes tempos, e conseguimos! Para ver mais sobre este trilho, clica aqui.

O nível de dificuldade é médio, mas houve algumas alturas que me tiraram o fôlego. Claro que a vista compensava sempre.

Com o degelo, cascatas lindíssimas vão literalmente cortando os penhascos e moldando a paisagem.

Depois de muito subir, já estávamos quase a chegar ao lago quando apareceram diante dos nossos olhos as vaquinhas a pastarem. Típico postal Suíço! 

E finalmente, uma recompensa extraordinária: o vislumbre do lago de Oeschinen. Palavras para quê?!

 

Ainda vimos um grupo de pastores com as suas ovelhas e os seus cães… Uma profissão em vias de extinção, mas que tornou ainda mais especial esta caminhada!

O trilho não é circular, pelo que o regresso foi feito pelo mesmo caminho. Tínhamos que nos apressar, para ainda montar a tenda e encher os colchões antes do jogo Portugal-Uruguai, que era às 20h (depois seria de noite, e como somos campistas experientes, não levámos nenhum foco!). Foi uma autêntica corrida contra o tempo! Ainda por cima só à terceira é que acertámos no restaurante. Quando finalmente nos instalámos à mesa já tinham passado os primeiros 30 minutos do jogo.

O resultado não nos deixou contentes, mas o dia que estávamos a ter deixou-nos muito felizes.

Voltámos ao acampamento, estava lua cheia, portanto até havia bastante luminosidade. Preparámo-nos para dormir, mas antes ainda passámos a “tal” festa de que falei anteriormente. Música boa, uma grande fogueira no meio, ambiente porreiro, ficámos um bocadinho e depois fomos para a tenda.

Estávamos num local bastante perto da festa, e a música estava com um volume tipo discoteca. Impossível de pregar olho. Ainda por cima eram músicas conhecidas, portanto a música agarrava o cérebro, que queria descansar mas não conseguia! Passou-se uma hora, duas, três, muitas voltas na colchonete, e ao fim de quatro horas de vira e desvira, saímos da tenda e fomos ter com a voluntária que estava de “guarda”. A zona de recepção e alojamento ainda fica um bocadinho afastada da zona de campismo. Tive pena dela, porque estava a dormir, mas nós ainda não tínhamos pregado olho, depois de um dia muito cansativo e querendo no dia seguinte continuar as caminhadas! Estivemos lá ainda um bom bocado. Juntou-se uma outra voluntária. Não conseguiam contactar o responsável, e portanto ela disse que iria lá falar diretamente. Nós só queríamos dormir!

Voltámos ao acampamento e já não estava a festa a bombar! Ufa, que alívio! Finalmente podíamos dormir! Eram quatro da manhã e passadas duas horas o sol já estava a nascer! Bem, foi uma noite muito mal dormida, mas a verdade é que acordar no meio da natureza, com os passarinhos a cantar, tem algo de mágico.

Às 8h da manhã eu já estava pronta para um novo dia! Claro que desmontar tudo, tomar banho, tomar o pequeno-almoço, fazer o check-out ainda demorou muito tempo, sobretudo porque nós não estávamos propriamente na melhor forma de sempre, depois de uma noite muito longa! Tínhamos pensado fazer um trilho, mas apercebemo-nos que 7 horas seria demasiado e portanto mudámos de planos. Escolhemos o trilho de gastental, com muito menos desnível e mais curto.

Este trilho é feito ao longo de um rio, e é também bastante impressionante, pela altura dos penhascos que o ladeiam.

  

Depois da parte inicial com mais declive, segue-se uma caminhada praticamente plana pelo vale. A água do degelo forma aqui imensas cascatas, havendo algumas que nos chamaram mais a atenção…

A da esquerda foi a que nos impressionou mais: aquela água jorra literalmente de dentro da rocha! Congeminámos algumas teorias acerca do fenómeno, sem chegar a nenhuma conclusão… A segunda não dá para perceber bem a dimensão, mas há uma queda livre de água entre dois penhascos enormes que estão muito próximos. Incrível! A terceira chamou mais a atenção pela beleza: uma autêntica cortina de água que vai polindo a montanha.

Estar num local destes é mais do que espetacular. Faz-nos pensar. Faz-nos ouvir os sons à nossa volta. Faz-nos ficar boquiabertos. Faz-nos sentir a pequenez do Ser Humano e a sorte por termos um Planeta tão maravilhoso, e ao mesmo tempo a sua fragilidade. É preciso tratarmos bem desta Natureza. Todos os dias! Sem ela, o Homem não existe.

No regresso a Basel, ainda parámos no Blausee, um parque Natural onde há um hotel e uma piscicultura no lago. Sinceramente não vale os 8 Fr. de entrada. Comparado ao lago que tínhamos visto no dia anterior, tudo tinha um ar muito artificial e estava cheio de gente por todo o lado. De qualquer modo, a cor do lago é muito bonita sob a luz do Sol.

E assim foi a nossa aventura campista de fim-de-semana. Relativamente aos materiais que testámos, estamos bastante satisfeitos. Venha aí mais campismo! Estamos prontos.

Margarida

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