Viver em Basileia

Basileia localiza-se no norte da Suíça, no ponto em que este país toca dois outros: Alemanha e França. A minha vida de dois anos e meio nesta cidade deu-me a conhecer os encantos desta região.

Aqui vivi uma vida entre dois países, todos os dias de trabalho. É o caso de muitas pessoas, que são chamadas de “frontaliers” pois têm casa num país diferente do qual trabalham. Geralmente vivem em França ou Alemanha, onde as rendas são mais baratas, e trabalham na Suíça. Eu sou a excepção à regra: trabalho em França e vivo na Suíça.

É uma cidade cosmopolita, onde se ouvem falar várias línguas sempre que se sai à rua. Tem um tamanho ideal: nem muito grande nem muito pequena. O aeroporto está muito próximo do centro da cidade, o que a torna excelente para emigrantes que, como eu, gostam de voltar muitas vezes ao seu país Natal! É limpa, organizada, muito verde, e tem um dos melhores climas da Suíça, com pouca neve no Inverno e muito sol e calor no Verão. É atravessada pelo rio Reno, e tem um centro histórico tão bonito quanto arranjado. Os transportes e serviços públicos funcionam excecionalmente bem, pelo que muitas famílias optam por nem sequer ter carro. Há faixas de bicicletas em praticamente todas as estradas, e faça chuva ou faça sol, há sempre ciclistas a caminho!

Basileia, como muitas outras cidades na Suíça, tem uma excelente qualidade de vida. Aqui, todas as pessoas vivem bem, respeitam e são respeitadas, tanto trabalhem nas obras como na mais alta posição da indústria farmacêutica (o principal motor da cidade).

Logo que me registei na cidade, para ter o visto, recebi um pacote com informações úteis e práticas sobre o cantão. Recebi entradas para museus, para o jardim zoológico, descontos em espetáculos, bem como um curso de alemão, que frequentei durante cerca de 6 meses.

Basileia é considerada a cidade da cultura na Suíça, pois tem imensos museus para todos os gostos, mas os dedicados à arte são os mais importantes. Aliás, esta cidade recebe, uma vez por ano, o Art Basel, uma das maiores feiras de arte do Mundo inteiro, onde se podem apreciar instalações como esta…

… Ou como esta!

Mas Basileia não se esgota nos seus museus e na sua arte! O Fastnacht (carnaval) é a maior festa da cidade, e transforma-a completamente. As máscaras enormes, os carros alegóricos, as lanternas, a música incessante dos flautins e os confetis que enchem todas as ruas centrais da cidade, não deixam ninguém indiferente. Aliás, não é por acaso que esta festa se insere na lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO. O seu início dá-se na 2ª-feira a seguir à 4ª-feira de cinzas, exatamente às 4h da manhã. As luzes da cidade são completamente apagadas, ficando apenas as lanternas alegóricas acesas. Esta luz é acompanhada pela música repetitiva de flautins tocada por diferentes grupos. E assim, a festa prosseguirá por três dias!

Para além destes eventos, muitos outros preenchem a cidade ao longo do ano.

Viver em Basileia foi uma experiência de vida incrível! Pela cidade, pelas pessoas e amigos que fiz, pelos sítios que visitei, pelas memórias que guardo. Basileia é um capítulo na minha vida que está prestes a ser fechado. Talvez algum dia volte a ser reaberto, mas para já, outros sonhos começam a tomar forma…

E que bom é este sentimento de nostalgia de quem está prestes a partir, mas ao mesmo tempo está extasiado com o que virá a seguir!

Quem quiser vir visitar a cidade ou estiver a pensar emigrar para Basileia, não se vai arrepender!

Margarida

 

 

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