O Dia D

Este foi o meu último post no blogue portugueseheart.wordpress.com, o meu primeiro blogue, que comecei quando emigrei para França.

“Após 4 anos e um mês de vida de emigrante, chegou um dia muito Desejado. Esse foi o dia D. O dia do Despedimento. Afinal, quem é que pode seguir os seus sonhos quando está preso?

Após 9 anos de o ter escrito numa pequena lista de sonhos, que por acaso apanhei há menos de uma semana enquanto fazia arrumações naquela que será sempre a minha casa, finalmente está mais próximo de se concretizar um dos meus maiores sonhos.

Pois é, e para o concretizar, as escolhas não são fáceis. Abandonar um emprego estável, um salário apetecível, um bom apartamento, enfim, tudo aquilo que se pode querer na sociedade de hoje em dia.

Bem, a verdade é que sou uma pessoa muito sortuda, e calhou-me a sorte grande! Encontrei a melhor pessoa para passar comigo o resto da vida, e ainda por cima, os nossos sonhos completam-se tão perfeitamente como um puzzle. E o maravilhoso disto tudo é que finalmente decidimos não adiar mais o dia D, e vamos tornar este sonho conjunto uma realidade.

O primeiro passo está tomado. Em Julho já estaremos livres dos nossos trabalhos, e poderemos entrar nesta aventura. Desde o dia D que me sinto mais leve. A verdade é que eu nunca fui boa emigrante! Desde que vim trabalhar para França, já perdi a conta às idas a Portugal. Acho que foram cerca de 35! Imaginem, 70 vôos no total, para matar as saudades que eram tantas. O sonho de voltar para Portugal nunca me saiu da cabeça, e portanto, para ser sincera, nunca me deixei acomodar a esta vida aqui. Ao mesmo tempo que sentia que estava a adquirir muitas coisas boas, sentia-me perdida. Sentia que estava num sítio onde não pertenço.

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Esse sonho, que escrevi numa folha em branco há nove anos atrás, terá agora a sua oportunidade de ser concretizado, nesta transição entre a vida de emigrante e o regresso ao País natal. “Dar a volta ao Mundo”, foi assim que o escrevi, numa lista de 9! Pois é, dar a volta ao Mundo pode ser coisa rápida, hoje em dia, mas não o queremos fazer à velocidade de três vôos. Queremos viver com intensidade essa experiência, que nos levará para longe. Queremos embrenhar-nos nas outras culturas e aprender com elas. E queremos também deixar alguma coisa de boa nos lugares por onde passarmos.

Muitos podem não perceber porque é que eu e o João, numa situação de trabalho tão boa, poderíamos deixar tudo, deixar a estabilidade, as certezas, o conforto, pelo incerto, pelo inseguro, em suma, trocar as respostas pelas perguntas. A verdade é que não temos resposta a todas as perguntas, mas sabemos que a vida é para ser vivida, e que não há nada mais precioso do que o tempo, as pessoas e o nosso Planeta.

A rotina trabalho – casa acabou por, de alguma maneira, fazer desabar o meu sonho de fazer a diferença. A realidade do trabalho como dentista não é a que eu estava à espera, mas isso talvez fique para outro post… Infelizmente apercebo-me cada vez mais que a ganância é o que move os seres humanos. Ter mais, para gastar mais, para mostrar mais. Sempre mais de tudo o que é material. E no caminho, a felicidade, fica onde? É muito fácil entrar neste ciclo, e depois quando se dá conta, os anos já passaram. Portanto, mesmo sem todas as respostas, mais vale viver no presente, e ser feliz.”

Margarida

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